Durante o feriado da Semana Santa, dez mulheres foram assassinadas no Rio Grande do Sul, gerando protestos por mais proteção e ações do governo. Movimentos feministas e deputadas gaúchas se reuniram com o ministro da Justiça para pedir apoio federal, já que 4 milhões de reais destinados a combater a violência contra a mulher ainda não foram usados. O governador Eduardo Leite se manifestou contra a violência, mas as críticas à sua gestão incluem a falta de estrutura nas delegacias e a insuficiência de recursos para proteger as mulheres. Dados mostram que muitos casos de feminicídio não são registrados corretamente, com uma diferença significativa entre os números oficiais e os dados de organizações que monitoram esses crimes. Especialistas afirmam que a violência contra as mulheres deve ser vista como uma questão de direitos humanos, exigindo políticas efetivas e apoio adequado. Apesar de algumas melhorias na legislação e na conscientização sobre o tema, ainda há muitos desafios, especialmente para mulheres em áreas rurais, onde o acesso a serviços de apoio é limitado.
Durante o feriado da Semana Santa, dez mulheres foram assassinadas no Rio Grande do Sul, sendo seis delas em um único dia, na sexta-feira, 18. O aumento dos casos de feminicídio gerou protestos e cobranças por ações efetivas do governo. Movimentos feministas exigem investimentos na proteção das mulheres.
Em Brasília, quatro deputadas da bancada gaúcha se reuniram com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para solicitar apoio federal. Durante o encontro, as deputadas foram informadas que R$ 4 milhões, destinados pelo governo por meio do Fundo Nacional de Segurança Pública, ainda não haviam sido utilizados. A Secretaria da Segurança Pública afirmou que 73% dos recursos foram empenhados, mas a população critica a ineficiência das ações.
A promotora de Justiça Ivana Battaglin destacou que os casos de feminicídio no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, continuam subnotificados. Um levantamento do observatório Lupa Feminista aponta discrepâncias significativas entre os dados oficiais e os reais. Em 2024, a Polícia Civil registrou 72 mortes, enquanto o Lupa Feminista contabilizou 110. Essa diferença se deve à classificação inadequada dos crimes.
Battaglin ressaltou que a violência contra as mulheres deve ser tratada como uma questão de Direitos Humanos. Ela apontou a falta de delegacias especializadas e a ausência de casas-abrigo como desafios para a proteção das vítimas. O programa RS Seguro, segundo a promotora, não conseguiu conter os índices de violência de gênero.
A socióloga Rochelle Fellini Facheneto, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirmou que, apesar dos avanços legais, como a promulgação da Lei Maria da Penha, a violência contra a mulher permanece naturalizada. A inclusão do feminicídio como crime autônomo em 2024 fortaleceu o marco legal, mas ainda há lacunas na implementação das políticas públicas.
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