Belém foi escolhida para sediar a COP 30 em 2025, o que gerou expectativas de melhorias na infraestrutura da cidade, que enfrenta problemas como coleta de lixo e saneamento básico. No entanto, surgiram críticas sobre a falta de conexão entre as obras planejadas e as necessidades da população, com foco em interesses econômicos em vez de justiça social. A cidade tem uma alta desigualdade, com muitas pessoas vivendo em favelas, e a temperatura aumentou quase 2 graus Celsius nos últimos 50 anos. As obras em andamento, que visam atrair turistas, são vistas como uma forma de “greenwashing”, já que não resolvem os problemas sociais. Projetos como a duplicação da Rua da Marinha e a construção da Avenida Liberdade podem causar danos ambientais, como a remoção de árvores e a perda de biodiversidade. Além disso, parques lineares construídos em áreas ricas não atendem às necessidades das comunidades mais vulneráveis. A realização da COP 30 em Belém levanta dúvidas sobre a eficácia das negociações climáticas e o apoio a ações para os países mais afetados pelas mudanças climáticas.
Belém e a COP 30: Críticas à Desconexão entre Obras e Necessidades da População
Belém, capital do Pará, foi escolhida para sediar a Conferência do Clima (COP 30) em 2025. A decisão gerou expectativas sobre investimentos em infraestrutura, mas também críticas sobre a priorização de interesses econômicos em detrimento das demandas sociais. A cidade enfrenta problemas como coleta de lixo, saneamento básico e desigualdade socioespacial.
Desigualdade e Problemas Urbanos
Com 1.303.403 habitantes, Belém apresenta alta desigualdade, com mais da metade da população vivendo em favelas ou comunidades urbanas. A cidade, conhecida como “cidade das mangueiras”, possui baixo índice de arborização e registrou aumento de quase 2 graus Celsius na temperatura nos últimos 50 anos.
Obras e a Falta de Debate Democrático
Desde o anúncio da COP 30, houve uma mobilização de recursos públicos para obras de infraestrutura. A definição dessas obras, no entanto, ocorreu sem ampla deliberação democrática, contrariando diretrizes do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001). O governador Helder Barbalho ganhou destaque no processo, com recursos estaduais e federais destinados às obras.
“City Marketing” e “Greenwashing”
As obras em andamento são vistas como um exemplo de “City Marketing”, visando atrair turistas e valorizar imóveis, em detrimento de soluções para a desigualdade. Especialistas apontam para a prática de “greenwashing”, ou seja, a promoção de uma imagem ambientalmente sustentável que não corresponde à realidade.
Impactos Ambientais e a Supressão Vegetal
A duplicação da Rua da Marinha e a construção da Avenida Liberdade são exemplos de obras que, segundo críticos, estimulam o uso de veículos particulares e ignoram a agenda climática global. Os projetos preveem a remoção de árvores, perda de biodiversidade e o impacto em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), como a que protege o manancial da comunidade quilombola Abacatal.
Parques Lineares e a Exclusão Social
Os parques lineares Nova Doca e da Avenida Tamandaré, construídos em bairros de alto padrão, são criticados por não atenderem às necessidades das áreas mais vulnerabilizadas da cidade. As intervenções são consideradas mais um exemplo de “urban marketing” do que uma solução para os problemas urbanos.
COP 30: Expectativas e Contradições
A realização da COP 30 em Belém levanta questionamentos sobre a efetividade das negociações climáticas e o financiamento de ações para os países mais afetados pelas mudanças climáticas. A cidade, palco do evento, demonstra a contradição entre o discurso ambiental e as práticas governamentais.
Entre na conversa da comunidade