O governo brasileiro vai recorrer da decisão da Justiça da Espanha que negou a extradição de Oswaldo Eustáquio, um influenciador bolsonarista foragido desde 2023. A estratégia é mostrar que os crimes dele são comuns e não políticos, já que a Justiça espanhola alegou que os atos têm motivação política. Eustáquio é investigado por crimes antidemocráticos e ataques ao Supremo Tribunal Federal, e ele afirma ser alvo de perseguição política. A Justiça espanhola também destacou o risco de agravamento do processo penal por causa das opiniões políticas dele. O governo brasileiro acredita que a decisão vai contra um tratado entre os países e que os crimes de Eustáquio devem ser considerados comuns. Ele enfrenta várias acusações, incluindo obstrução de justiça e corrupção de menores, e a Justiça espanhola exige que os crimes sejam tipificados em ambos os países para permitir a extradição.
Governo brasileiro recorrerá da decisão espanhola sobre extradição de Oswaldo Eustáquio
O governo brasileiro planeja recorrer da decisão da Justiça espanhola que negou a extradição do influenciador bolsonarista Oswaldo Eustáquio. A estratégia jurídica visa demonstrar que os crimes atribuídos a ele são comuns, e não políticos, buscando viabilizar a extradição após duas negativas anteriores.
Eustáquio, foragido da Justiça brasileira desde 2023, é investigado por crimes antidemocráticos e ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF). Ele alega ser vítima de perseguição política, mas teve sua inclusão na difusão vermelha da Interpol confirmada.
A Justiça espanhola argumentou que os atos de Eustáquio possuem “motivação política” e que os crimes, embora não enquadrados como políticos na legislação espanhola, têm “primordialmente uma finalidade política”. A corte também mencionou o “risco elevado” de agravamento do processo penal devido às opiniões políticas do influenciador.
Para o governo brasileiro, a decisão viola o tratado bilateral entre os países e ignora que as condutas de Eustáquio representam crimes comuns, ainda que com motivação política. A AGU (Advocacia-Geral da União), o Itamaraty e o Ministério da Justiça trabalham em conjunto para apresentar o recurso.
Investigações e acusações
Eustáquio enfrenta mandados de prisão por crimes contra a democracia, obstrução de justiça, divulgação de dados protegidos, perseguição, ameaça e corrupção de menores. Ele é acusado de instigar seguidores contra o STF e o Congresso, além de disseminar fake news e participar de atos que pediam um golpe de Estado.
Em 2024, a Polícia Federal (PF) o investigou por suspeita de corrupção de menores, ao usar o perfil da filha para cometer atos ilícitos. O influenciador também está envolvido no processo que levou à suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil, após a plataforma não cumprir decisões judiciais.
Decisão da Justiça espanhola
A decisão da Audiência Nacional da Espanha, um tribunal de segunda instância, considerou que, para que a extradição seja concedida, é necessário que haja tipificação penal tanto no Brasil quanto na Espanha. A Justiça espanhola exige “dupla incidência criminal” para acusações que justifiquem a extradição.
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