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Perfil inédito revela que a maioria das vítimas da ditadura militar era jovem e política

Ministério dos Direitos Humanos revela novos dados sobre vítimas da ditadura militar, destacando a juventude e a ligação política das vítimas.

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A Comissão Nacional da Verdade (CNV), que atuou entre 2012 e 2014, revelou que 434 pessoas foram assassinadas ou desapareceram durante os regimes militares no Brasil entre 1946 e 1988. Em uma análise divulgada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) nesta segunda-feira, 31, data que marca os 61 anos do golpe militar […]

A Comissão Nacional da Verdade (CNV), que atuou entre 2012 e 2014, revelou que 434 pessoas foram assassinadas ou desapareceram durante os regimes militares no Brasil entre 1946 e 1988. Em uma análise divulgada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) nesta segunda-feira, 31, data que marca os 61 anos do golpe militar de 1964, foram extraídas informações do relatório final da CNV, destacando que a maioria das vítimas era jovem, estudante e envolvida em organizações políticas. O estudo aponta que 82,5% das vítimas tinham alguma ligação política, com 45,3% associadas a partidos.

As vítimas tinham em média 32,8 anos, sendo que 77,4% estavam na faixa de 18 a 44 anos, com quase metade entre 18 e 29 anos. O foco em estudantes é evidente, com 32,3% dos assassinatos atingindo a juventude. Além disso, 13,1% das vítimas eram operários. No que diz respeito ao gênero, 11,8% das vítimas eram mulheres, com um aumento significativo de assassinatos femininos entre 1979 e 1985, quando a proporção chegou a 25%.

Os assassinatos ocorreram predominantemente em capitais, com 62,7% dos casos registrados em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que concentraram 49,5% dos casos. A análise também destaca que 351 mortes, ou 80,8% do total, aconteceram após a implementação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, que intensificou a repressão e a violência do regime militar. A pesquisa revela que, antes do golpe, já havia registros de assassinatos políticos, evidenciando a perseguição política mesmo em períodos democráticos.

O livro “Torturadores: perfis e trajetórias de agentes da repressão na ditadura brasileira”, de Mariana Joffily e Maud Chirio, apresenta perfis de torturadores que atuaram durante a ditadura. A obra, que reúne dados de arquivos militares, revela que os torturadores eram, em sua maioria, homens com idade média de 35 anos, alinhados à ideologia militar e com formação especializada. A tortura era vista como uma técnica válida para obtenção de informações, e os torturadores eram valorizados dentro das Forças Armadas, recebendo treinamento em países como os Estados Unidos.

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