A Polícia Civil da Bahia investiga uma série de mortes supostamente ligadas ao uso de símbolos de facções criminosas. Em 2024, ao menos seis pessoas teriam sido assassinadas por fazer gestos considerados proibidos. O caso mais recente ocorreu em 6 de janeiro, quando Marcos Vinicius Alves Gonçalves, de 20 anos, foi morto em Feira de […]
A Polícia Civil da Bahia investiga uma série de mortes supostamente ligadas ao uso de símbolos de facções criminosas. Em 2024, ao menos seis pessoas teriam sido assassinadas por fazer gestos considerados proibidos. O caso mais recente ocorreu em 6 de janeiro, quando Marcos Vinicius Alves Gonçalves, de 20 anos, foi morto em Feira de Santana após uma postagem em rede social. O jovem não possuía antecedentes criminais, e a polícia ainda não confirmou oficialmente a relação entre os gestos e os homicídios.
O investigador Douglas Pithon, da Polícia Civil, aponta que lideranças mais jovens nas facções estão mais propensas a valorizar símbolos, refletindo uma mudança no comportamento dos grupos. Historicamente, as facções priorizavam um “código de ética” em vez de símbolos. Pithon destaca que, atualmente, o foco está no poder e na ostentação, com jovens armados buscando demonstrar força. O PCC, por exemplo, movimenta cerca de R$ 4,9 bilhões anualmente com o tráfico internacional.
Esse fenômeno não se limita à Bahia; estados como Ceará, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Amazonas também registram casos relacionados a símbolos. Em Sorriso (MT), Everson Santos da Silva, de 36 anos, foi assassinado após fazer um gesto interpretado como alusão ao PCC. Os símbolos variam entre as facções, com o CV utilizando dois dedos levantados e o PCC, três. A simbologia é uma forma de controle territorial e identificação entre os membros.
A discussão sobre os símbolos e sua relação com a violência é complexa. A professora Ana Gabriela Ferreira, da UEFS, ressalta que a simbologia não deve ser ignorada, mas que o Estado precisa abordar as causas reais da guerra do tráfico. Ela critica a abordagem focada apenas nos gestos, afirmando que isso pode desviar a atenção do poder crescente das organizações criminosas. A influência das redes sociais também é significativa, com casos de homicídios relacionados a gestos sendo amplamente divulgados, aumentando a sensação de insegurança na população.
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