- Em uma conferência de imprensa no fim da reunião do G‑7, Donald Trump defendeu o acordo com o Irã, em discurso de cerca de 31 minutos, acompanhado por quatro assessores.
- O acordo resultaria na reabertura do estreito de Ormuz para o Irã e na promessa de diluir o urânio enriquecido; em contrapartida, Teerã obtém exportação de crude, alto ao fogo no Líbano e promessas de fundo de investimentos e de flexibilizações de sanções.
- Trump exaltou a morte do general Qassem Soleimani e atribuiu ao governo anterior (Obama) o tratado com o Irã, enquanto ministros pareciam constrangidos na presença dele.
- Na fase final, Trump viajou a Paris para assinar uma cópia do pacto com o Irã em Versalhes; avaliação de analistas é de que houve recuo dos objetivos, não uma capitulação clara.
- A cúpula do G‑7 evidenciou ajustes nas relações com Xi Jinping e Modi, além de recuos em áreas como IA, mudanças climáticas e políticas de imigração; no longo prazo, o poder de Trump é considerado em declínio, ainda que mantido.
Donald Trump participou da conclusão da reunião do G-7, em França, defendendo o acordo com o Irã em uma coletiva de imprensa de 31 minutos. O momento foi acompanhado por quatro assessores da sua equipe, entre eles Marco Rubio e Scott Bessent. A leitura inicial mostrou ênfase em mostrar força, mas os analistas destacam fragilidades no pacto.
O conteúdo do acordo envolve a reapertura do estreito de Ormuz, relativo ao fim do bloqueio imposto ao Irã, e a promessa de reduzir o enriquecimento de urânio. Em contrapartida, Teerã obtém autorização para exportação de petróleo, além de condições que incluem um acordo de alto alarme no Líbano e um potencial fundo de investimentos, com sancões suspensas.
Trump afirmou, sem evidências, ter eliminado o general Suleimani durante o primeiro mandato, alegando que isso justifica o que ocorre hoje. A cena no palanque gerou leitura de que o apoio entre os ministros presentes não refletia convicção, com sinais de relutância.
Parcerias e reações
Posteriormente, o presidente rumou a Paris para registrar a assinatura de uma cópia do acordo com o Irã em Versalhes, numa alusão histórica a tratados de capitulação. Observadores destacam que os EUA não conseguiram impor mudanças drásticas ao regime iraniano.
A viagem também evidenciou ajustes na relação com outros aliados. Mesmo com o tom firme em relação ao Irã, Trump buscou manter relações diplomáticas com a Índia, recebendo Narendra Modi de forma cordial, após arrefecer tensões comerciais.
Contexto regional e econômico
Na cúpula, as lideranças europeias fizeram concessões sem precedentes em várias frentes, enquanto Trump ressaltava sua posição dominante. Do ponto de vista dos analistas, as contrapartidas não eliminaram a disputa com o Irã e indicam uma postura de recuo estratégico.
A atuação de Washington também foi marcada por dilemas em relação a outras pautas. Em relação a Putin, houve sinalização de medidas para restringir abusos, ainda que o cumprimento dependa de ações futuras. O desfecho parece indicar uma redução de ambições agressivas anteriores.
Olhar para o futuro
A cúpula mostrou que Trump manteve o poder de agir em várias frentes, mas com capacidade de impor mudanças limitadas. Observa-se que a estratégia externa passa por recalibrar alianças, com foco em contenção de adversários e contenção de gastos.
Além disso, a avaliação de adversários internos e externos aponta para um cenário de poder menguante, com expectativa de novos movimentos internacionais. O calendário político deve indicar se esse reequilíbrio terá continuidade ou novidades na agenda externa.
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