- Dinorah Figuera, ex-presidente da Assembleia Nacional oposicionista eleita em 2015, retornou a Caracas após oito anos no exterior, com o objetivo de promover a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
- A interlocutora italiana foi recebida por representantes chavistas e pelo enviado dos Estados Unidos, em uma reunião que também contou com o embaixador de plantão dos EUA, John Barret.
- O retorno de Figuera, visto por alguns como estratégia de Washington e de Caracas para abrir o jogo com outros setores da oposição, desloca o protagonismo de María Corina Machado.
- Foi formada uma “mesa Técnica e Política paritária” entre opositores da Assembleia de 2015 e o chavismo para discutir uma agenda de fortalecimento da democracia, paz e futuro.º
- A operação ocorre em meio a negociações diplomáticas contínuas entre o governo de Delcy Rodríguez e Washington, com a oposição pressionando por cronograma eleitoral e renovação do árbitro eleitoral.
Dinorah Figuera, antiga presidenta da Assembleia Nacional opositora eleita em 2015, voltou a Caracas após oito anos no exterior. O objetivo declarado é impulsionar a renovação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e abrir espaço para dialogar com o chavismo. A interlocução tem apoio de autoridades americanas e ao menos pareceres favoráveis do governo de Delcy Rodríguez.
Figuera chegou ao país e disse ter sido convidada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para enfrentar os desafios políticos, buscando convergência em torno de um CNE confiável. Ela afirmou que a tarefa envolve candidaturas diversas, sem confirmar articulacões com a líder opositora María Corina Machado.
A primeira reunião da mesa de negociação ocorreu já no dia da chegada, com participação da Assembleia Nacional de 2015, cuja presidência hoje recai sobre uma corrente alinhada ao chavismo. Em nota, o chavismo informou a criação de uma mesa técnica e política com representantes da oposição daquele grupo, com agenda para fortalecer a democracia e promover a paz.
John Barret, encarregado de negócios dos EUA, participou de encontros com Figuera entre outros interlocutores. O governo de Delcy Rodríguez e representantes de Washington qualificaram o movimento como um passo para uma Venezuela democrática, com uma rota para diálogo entre partidos e o governo em Caracas.
Ao mesmo tempo, a plataforma opositora panameada pela Plataforma Unitaria está sob escrutínio, já que Machado é apontada como a figura com maior apoio para conduzir negociações. O retorno de Figuera é visto por alguns como tentativa de diluir a influência de Machado e abrir espaço a novos interlocutores com o aval externo.
Figuera integra a chamada Assembleia Nacional de 2015, que permanece sob influência residual do governo interino de Juan Guaidó, criado em 2019 para gerir ativos venezuelanos. O chavismo, por sua vez, renovou o controle do Parlamento local, enquanto o debate sobre eleições e a legalização de partidos segue sob disputa judicial e política.
A moradora de exílio desde 2018 acumula trajetória marcada por investigações e ações legais direcionadas contra membros da oposição. A deputada já havia se reunido com autoridades internacionais no passado, em um contexto de busca por soluções políticas e de abertura institucional.
Até o momento, o governo de Caracas sustenta que o calendário eleitoral depende de avanços na renovação do árbitro eleitoral e na regulamentação de partidos. A oposição, por sua vez, cobra definição de um cronograma eleitoral que possa sustentar eleições livres no país.
Contexto institucional e próximos passos
A ação de Figuera ocorre em meio a tensões sobre o eventual marco temporal para eleições, com o governo citado para cumprir prazos constitucionais. A negociação inclui a discussão sobre uma transição democrática estável, ordenada e consolidada, segundo fontes próximas aos envolvidos.
A participação de representantes de Washington na iniciativa reforça a percepção de que a estratégia busca ampliar o leque de interlocutores da oposição, sem depender exclusivamente de Machado. O episódio muda o eixo político e pode influenciar o ritmo de futuras negociações entre partidos venezuelanos e autoridades em Caracas.
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