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Bélgica teme tornar-se novo ponto de partida de migrantes para o Reino Unido

Bélgica teme tornar-se novo ponto de partida de migrantes para o Reino Unido, com aumento de interceptações, barcos infláveis e cooperação transfronteiriça ampliada

La playa de De Panne, en Bélgica, el pasado 8 de junio.
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  • A Bélgica teme virar novo ponto de partida de migrantes em direção ao Reino Unido, devido ao aumento da vigilância na costa francesa.
  • Em 2026, autoridades belgas já interceptaram ao menos uma treintena de embarcações saídas das praias da Bélgica.
  • Entre abril e maio, nearly 200 migrantes foram detidos nos 30 quilômetros de litoral entre De Panne e Middelkerke, e mais de 400 pessoas já foram interceptadas no ano.
  • A polícia também prendeu 55 suspeitos ligados a mafias que facilitam passagens ilegais, segundo dados locais.
  • O governo belga anunciou reforço policial na costa (mais 25 agentes) e a criação de um grupo transfronteiro com França, Reino Unido, Países Baixos e Dinamarca para cooperação durante o verão.

Na costa belga, um novo fluxo de migrantes em direção ao Reino Unido ganhou relevância após o aumento da vigilância na França. Em De Panne, litoral próximo à fronteira com a França, surgem relatos de barcos e grupos de migrantes buscando contornar as medidas de controle para chegar a Calais, Dunkerque ou, sobretudo, ao território britânico.

As autoridades belgas expressaram preocupação com o ressurgimento de travessias, que se tornaram mais arriscadas desde o retorno do bom tempo. Técnicos e policiais aguardam respostas da União Europeia para conter o fluxo e evitar que o problema migre para outras regiões.

Contagem de 2026 aponta aumento de embarcações

Desde o início de 2026, as forças de segurança belgas interceptaram dezenas de embarcações e prenderam diversos suspeitos ligados a redes de tráfico. Em De Panne e Middelkerke, a região registra operações frequentes para conter saídas de botes infláveis com migrantes a bordo.

A atuação policial já envolveu mais de 400 pessoas detidas ao longo do ano, segundo a imprensa local, com 55 indivíduos apontados como integrantes de redes de tráfico de migrantes. Em alguns casos, operavam de forma quase organizada a partir da costa belga.

Novo tipo de operação: barcos taxi

ONGs ligadas a Vluchtelingenwerk Vlaanderen detectaram um fenômeno recente: os chamados “barcos taxi”. Conduzem migrantes pela costa belga até o litoral frente a Calais e Dunkerque, coletando pessoas em diferentes pontos ao longo da linha costeira.

Joost Depotter, coordenador de políticas da Vluchtelingenwerk, descreveu a prática como formada por embarcações em condições precárias, com motores improvisados, usadas para transportar migrantes entre pontos de saída na Bélgica e zonas de saída na França.

Visão de moradores e impacto local

Catherine, professora aposentada que vive em De Panne, disse ver grupos de migrantes nas dunas pela manhã. Ela relatou que alguns estavam exaustos, sob condições precárias, sem apontar impactos diretos no cotidiano da cidade.

Em contrapartida, comerciantes e turistas da região ressaltam que a presença não compromete a atividade turística típica de praias belgas, que recebem bares, restaurantes e lojas durante o verão. Também há relatos de itens deixados na areia, como chalecos salva-vidas.

Cooperação europeia e medidas de segurança

Paralelamente, Paris e Londres firmaram acordo para ampliar a vigilância na costa francesa, prevendo reforço de forças de segurança e cooperação de inteligência até 2029. O objetivo é reduzir travessias ilegais no Canal da Mancha.

A Bélgica anunciou reforço policial na costa, com 25 novos agentes somando-se aos 45 já destacados. Além disso, haverá apoio de forças francesas e holandesas no verão, com criação de um grupo de cooperação transfronteiriça envolvendo França, Reino Unido, Países Baixos e Dinamarca.

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