- A israel revelou impedir a entrada da jornalista francesa Alice Froussard, que cobrira Israel e territórios palestinos há anos para a Radio France International (RFI) e a Radio France, sob alegação de motivos ideológicos.
- Froussard foi avisada no aeroporto Ben Gurion, perto de Tel Aviv, na noite de quarta-feira e teve de retornar a Paris, mesmo com permissão digital de entrada e pedido de visto de imprensa feito online.
- O ministro da Diáspora e Antissemitismo de Israel, Amichai Chikli, sugeriu o veto em redes sociais, com a frase “Bon voyage!”, alegando que ela afirmou que a massacre de Hamas em outubro de 2023 deve ser visto “em contexto” e insinuando apoio a Hamás.
- A direção da RFI expressou apoio a Froussard, dizendo tratar-se de uma violação da liberdade de imprensa e lamentando a falta de justificativas das autoridades israelenses.
- O caso se insere em um padrão de restrições a ingressos de jornalistas estrangeiros por motivos ideológicos, com outros casos recentes envolvendo outros profissionais e críticas de entidades representativas à prática.
Israel negou a entrada de uma jornalista francesa por motivos ideológicos, após ela chegar ao aeroporto de Ben Gurion, perto de Tel Aviv, nesta semana. Alice Froussard, correspondente da RFI e da Radio France, viajava há anos para cobrir Israel e os territórios palestinos ocupados. Mesmo com autorização digital de entrada e pedido de visto de imprensa feito online, as autoridades impediram a entrada na noite de quarta-feira. Ela retornou a Paris.
O governo israelense confirmou a expulsão em declarações posteriores. O ministro da Diáspora e Antissemitismo, Amichai Chikli, sugeriu que Froussard havia feito declarações que, segundo ele, apoiariam Hamas, e que isso motivou o veto. Em tom crítico nas redes sociais, ele afirmou que o Estado de Israel não tolera apoiadores de Hamas.
A direção da RFI afirmou oferecer pleno apoio a Froussard, classificando a decisão como violação da liberdade de imprensa. A emissora aponta que a jornalista possuía credenciais válidas e havia solicitado o visto de imprensa, sem justificativa apresentada pelas autoridades.
A Associação de Prensa Extrangeira em Israel (FPA) condenou a expulsão, chamando as alegações de indevidas e destacando preocupação com interferência na cobertura da região. A entidade representa mais de 400 meios de 30 países e pediu respeito à liberdade jornalística.
De acordo com o relato de fontes locais, o episódio se soma a uma série de casos nos últimos meses em que autoridades israelenses negaram entrada a jornalistas estrangeiros por motivos ideológicos. Em alguns casos, as justiças envolveram publicações nas redes ou a nacionalidade dos profissionais.
Recentemente, outros jornalistas estrangeiros já haviam enfrentado recusas ou entraves para entrar em Gaza ou para cobrir a região, com relatos de checagens de conteúdo e avaliação de neutralidade. O governo não detalhou critérios específicos para cada caso.
Documentos obtidos pelo Haaretz indicam que a polícia, vinculada ao Ministério de Segurança Nacional, monitorou artigos de correspondentes estrangeiros e recomendou negar entrada a críticos com visões contrárias a Israel. A situação levanta debates sobre liberdade de imprensa e segurança nacional.
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