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Brasil e México defendem não interferência estrangeira diante de Trump

Lula e Sheinbaum reforçam defesa da não ingerência em meio à nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra Brasil e México

Lula durante encontro bilateral com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, em Honduras. — Foto: Ricardo Stuckert/PR
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  • Lula e a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, conversaram por videoconferência nesta quarta-feira (10) por cerca de 40 minutos.
  • Os dois reiteraram a importância do multilateralismo, do direito internacional, da democracia e do princípio da não ingerência.
  • Eles instruíram suas chancelarias a realizar, em data próxima, a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil para avançar cooperação e diálogo.
  • Lula e Sheinbaum reiteraram o apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao cargo de Secretária-Geral das Nações Unidas, defendendo liderança latino-americana e o papel da mulher.
  • O texto também aborda a nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos, com recomendações do Escritório de Representante Comercial dos EUA para taxar o Brasil por práticas econômicas desleais (incluindo PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual) e, em outros casos, por alegações sobre trabalho forçado; menciona, ainda, possíveis tarifas ao México.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, realizaram uma videoconferência nesta quarta-feira (10) para tratar de questões econômicas e diplomáticas. A conversa durou cerca de 40 minutos e contou com a participação dos chanceleres Mauro Vieira e Roberto Velasco. O objetivo foi reforçar o multilateralismo, o direito internacional e a não ingerência, em meio a medidas tarifárias dos EUA contra Brasil e México.

Durante o diálogo, Lula e Sheinbaum reiteraram apoio ao fim do embargo a Cuba e manifestaram preocupação com a crise humanitária no país caribenho. Os dois países também combinaram instruir suas chancelarias a avançar com a VI Reunião da Comissão Binacional México–Brasil, principal mecanismo de diálogo político e cooperação entre as nações.

A nota do governo brasileiro destaca ainda o apoio à candidatura de Michelle Bachelet para a Secretaria-Geral das Nações Unidas, defendida pelo bloco latino-americano como escolha por consenso e por uma liderança feminina.

Nova ofensiva tarifária

Nos últimos dias, o Escritório do Representante Comercial dos EUA sugeriu tarifas por práticas econômicas desleais contra o Brasil, incluindo temas como PIX, etanol, desmatamento e propriedade intelectual. A medida ainda não foi implementada e decorre da Seção 301 da legislação comercial americana.

Além disso, o USTR recomendou tarifas adicionais contra o Brasil por questões ligadas ao combate ao trabalho forçado, apontadas como inaceitáveis pelo governo brasileiro. Há expectativa de que Washington siga com retaliações caso o país não altere práticas apontadas pelos norte-americanos.

Desde 2023, o ex-presidente Donald Trump tem pressionado por tarifas contra o México por falhas no enfrentamento a cartéis e por descumprimentos de acordos bilaterais. Em janeiro, Trump mencionou ações militares se os cartéis impedirem operações no território mexicano.

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