- Ataques rebeldes em Beni, no norte de Kivu, deixaram mais de 30 mortos nos últimos dias, dificultando a resposta à Ebola.
- Pelo menos dez pessoas foram mortas em ataques a três vilarejos ao redor da cidade na madrugada de quarta-feira, segundo testemunhas.
- A Força Democrática Aliada (ADF), milícia ligada ao grupo ISIS, é apontada como responsável pelos ataques em Mateté, Mamuli e Kitoho.
- Até quarta-feira, são 344 casos e 60 mortes confirmados na epidemia de Ebola nas provínias de North Kivu, South Kivu e Ituri.
- A governadoria afirmou que três pacientes com Ebola fugiram de centros de tratamento em Beni após os ataques de sábado, complicando ainda mais os esforços de contenção.
Ontem e hoje, ataques de rebeldes na região leste da República Democrática do Congo deixaram mais de 30 mortos, enquanto complicam o combate à epidemia de Ebola. Os ruídos de fogo ocorreram perto de Beni, em North Kivu, cidade sob administração militar desde 2021.
A ofensiva foi atribuída ao Allied Democratic Forces (ADF), milícia ligada ao extremismo islâmico. Em três vilarejos próximos a Beni — Matété, Mamuli e Kitoho —, pelo menos 10 pessoas foram mortas, casas e motos foram incendiadas e civis foram sequestrados, segundo relatos de moradores.
Segundo informações de autoridades locais, o ataque aconteceu na madrugada de quarta-feira. Refugiados e moradores relatam pânico generalizado, com muitas pessoas fugindo para áreas rurais em busca de abrigo. A violência deixou dezenas de feridos e desorganizou deslocamentos.
Até quarta-feira, o saldo de Ebola na região de North Kivu, South Kivu e Ituri era de 344 casos e 60 mortes. A intensificação das ações do ADF aumenta dificuldades logísticas e de contenção da doença, dizem especialistas.
Antes da meia-noite de sábado, os militantes teriam entrado em Beni, cidade sob controle militar, provocando execuções e decapitações entre moradores. A ofensiva ampliou o temor de que a tensão afete a resposta de saúde pública.
Entre os afetados pelo medo, três pacientes com Ebola teriam fugido de centros de tratamento em Beni após os ataques, informou o governador militar da região. A fuga complica o monitoramento de contatos e a contenção do vírus.
Comunidades locais destacam que a violência provoca deslocamentos maciços, o que aumenta o risco de transmissão. Líderes afirmam que reuniões de contenção se tornam difíceis quando pessoas fogem de casa em meio ao caos.
Analistas apontam que a ADF opera em zonas florestais, o que dificulta operações militares e facilita o deslocamento de grupos insurgentes. A cooperação entre as forças da República Democrática do Congo e de Uganda continua, visando conter o grupo.
O governo de Kinshasa condenou veementemente os ataques e reiterou o compromisso com a luta contra o ADF. Autoridades destacam que a violência contra civis prejudica a confiança na resposta à Ebola e pode atrasar ações de saúde.
Contexto: a epidemia de Ebola é a 17ª identificada no país desde 1976. Insegurança contínua na região aumenta desafios para campanhas de vacinação, isolamento de pacientes e comunicação com comunidades. O impacto humano é crescente, com relatos de perdas familiares entre civis.
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