- Hong Qi, dissidente chinês que organizou um protesto anti-governo e pediu auxílio à polícia britânica, afirma ter sido hostilizado por um intérprete “pro-regime” durante uma ligação 101 em 20 de dezembro, em Exeter.
- Qi disse que o intérprete questionou por que ele saiu da China e se recusou a repassar mensagens de desespero à autoridade policial.
- No dia 21 de janeiro, a polícia informou que o intérprete era fornecido por um contratado que recebe £130 mil por ano; a gravação da chamada não foi entregue a Qi e houve reprimenda do Information Commissioner’s Office.
- A denúncia aumenta temores sobre infiltração da comunidade de intérpretes pelo United Front Work Department, órgão do governo chinês citado por oferecer influência e pressionar dissidência no exterior.
- Um relatório do Home Office, tornado público de forma desclassificada, aponta escassez de falantes de chinês entre policiais e riscos relacionados à infiltração na atuação de intérpretes. A Polícia de Devon e Cornwall afirmou que, por o intérprete ser de terceiros, não houve ação adicional.
Hong Qi, dissidente chinês que organizou um protesto anti-governo na China e busca asilo no Reino Unido, afirma ter sido alvo de um intérprete “pro-regime” durante atendimento de emergência. A acusação envolve a linha 101, serviço britânico de非 emergência, ao telefonar para solicitar apoio da polícia de Devon e Cornwall.
Segundo Qi, de 43 anos, o contato ocorreu no dia 20 de dezembro, por volta das 14h54, durante uma ligação de 20 minutos em Exeter. O objetivo era relatar que suas contas bancárias haviam sido congeladas pelas autoridades chinesas, deixando-o sem recursos para pagar a moradia de sua esposa e das duas filhas adolescentes.
Qi diz que a intérprete, com sotaque chinês continental, interrompeu a conversa para questionar sua motivação e o acusou de ter fugido por asilo político, além de sugerir que ele levaria as crianças a sofrer. O dissidente afirma que, ao tentar transmitir a gravidade da situação, o diálogo não foi repassado ao policial na linha.
Questão sobre o intérprete
Em 21 de janeiro, 22 dias após a queixa, a polícia de Devon e Cornwall informou a Qi que a tarefa de interpretar era de responsabilidade de um contratado, contratado para fornecer serviços de tradução por cerca de £130 mil por ano. O fornecedor não respondeu a pedidos de comentário, e a polícia não forneceu cópia da gravação a Qi, apesar de solicitações.
A Investigação da Information Commissioner’s Office apontou falhas da polícia nessa área. Qi, que recebeu asilo no Reino Unido, mantém que houve um constrangimento institucional na forma de atuação da intérprete e pediu apuração.
A nota de contexto aponta para preocupações sobre infiltração na comunidade de intérpretes chineses por órgãos ligados ao regime chinês, citando perspectivas sobre o United Front Work Department. Um relatório do Home Office, divulgado de forma desclassificada em fevereiro, destacou a escassez de falantes de mandarim entre policiais britânicos e os riscos associados.
Contexto institucional e desdobramentos
O relatório de David Wilson, ex-detective e coordenador regional da task force de imigração, aponta que há “muita compadriação” entre intérpretes de mandarim no país. Segundo ele, a cooptação por parte de estados estrangeiros e crimes organizados pode levar à relutância de falar diante de intérpretes.
A força policial destacou que a responsabilidade pelo intérprete recaía sobre o contratado, não sobre a própria polícia. Em resposta, a instituição ressaltou ter revisado o caso por meio de seu departamento de padrões profissionais, sem tomar medidas adicionais devido à relação com o fornecedor externo.
Qi participou de protesto em Chongqing no ano passado, com projeção de slogans contrários ao Partido Comunista em um edifício. O episódio foi registrado e posteriormente divulgado pelo próprio dissidente, que também deixou uma carta mencionando potenciais consequências para autoridades locais.
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