- Leopoldo López, exparlamentar europeu, afirma que a Venezuela não está “pronta para ir a elecciones” e aponta a necessidade de mudanças institucionais antes de qualquer pleito.
- O relato destaca prisões políticas e a falta de uma amnistia verdadeira, defendendo que libertação e garantias de liberdade de expressão são condições anteriores a eleições.
- López critica o tutelaje de Estados Unidos e menciona a proposta de que a Venezuela seja o “Estado 51” dos EUA, destacando a ausência de apoio claro à democracia na região.
- O político ressalta a importância de participação de dirigentes chavistas na transição, para evitar violência, comparando com transições democráticas bem-sucedidas, como a espanhola.
- Em relação à Espanha, ele elogia a acolhida a venezuelanos e critica o papel de alguns atores políticos, defendendo que a reconciliação também passa pela responsabilização dos que violaram liberdades.
Leopoldo López Gil, empresário e ex-eurodeputado espanhol de 81 anos, afirma que Venezuela não está pronta para eleições. A declaração foi feita em entrevista publicada pelo jornal espanhol El País, em contexto da divulgação de seu novo livro. O material será apresentado no Ateneo de Madrid.
O político criticou a atuação dos Estados Unidos na transição democrática venezuelana, destacando o que vê como tutelagem e a falta de apoio de Donald Trump a um caminho rumo à democracia. Também mencionou a proposta de transformar Venezuela no Estado 51 dos EUA como exemplo de intervenção que não considera viável.
López Gil mostrou ceticismo quanto a uma transição sem mudanças institucionais profundas. Segundo ele, centenas de presos por razões políticas seguem detidos e não houve uma amnistia efetiva. O ex-eurodeputado enfatizou a necessidade de reorganizar as instituições antes de qualquer pleito.
O entrevistado reforçou a importância da participação de dirigentes chavistas na transição e apontou que, no momento, muitos atores democráticos estão fora do país, dificultando ações conjuntas. Ele também comentou a atuação de governos europeus, em especial da Espanha, e as divergências com propostas de mediação política.
Além disso, López Gil disse que não vê retorno rápido da democracia sem garantias de expressão e voto livres e sem que a vontade do soberano seja respeitada nos resultados. Ele comparou transições históricas a modelos espanhóis como referência para uma eventual saída pacífica.
O relato incluiu ainda reflexões sobre o papel de María Corina Machado no movimento democrático venezuelano, o impacto de pressões externas sobre a região e o que vê como obstáculos para uma mudança sustentável. O livro que acompanha a entrevista traça um recorte pessoal da família frente ao exílio e à crise política.
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