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Conflito no Sudão divide famílias de refugiados

Conflito no Sudão separa famílias e gera milhões de deslocados; muitos permanecem no país, enquanto parentes buscam refúgio em Uganda e países vizinhos

Smoke billows after a drone strike at Port Sudan on May 6, 2025.
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  • A guerra civil no Sudão separou inúmeras famílias, com alguns membros permaneceram no país enquanto outros buscaram refúgio em acampamentos vizinhos.
  • Kilani Rahama ficou no Sudão; sua esposa, mãe e irmã, com seus três filhos, fugiram de Port Sudan para o sul do Sudão e depois para Uganda, onde vivem no acampamento de refugiados de Kiryandongo.
  • O conflito deslocou mais de 14 milhões de pessoas, sendo cerca de 4,5 milhões refugiadas em países vizinhos como Uganda, Sudão do Sul, Chade, Egito e República Centro-Africana.
  • Rahama conseguiu um emprego com salário consideravelmente menor que o de antes, e envia parte do dinheiro para a família em Uganda; a inflação elevou o custo de vida, incluindo o preço do pão.
  • Igrejas e comunidades religiosas foram atingidas, e muitos membros permanecem separados há anos, com incertezas sobre reencontros e condições de vida.

Em Port Sudan, a violência do conflito sudanês queima etapas da vida de famílias que já enfrentavam dificuldades. Em abril de 2023, Kilani Rahama ouviu tiros ao ir à igreja, e o subsequente confronto entre as Forças Armadas Sudanesas ( SAF ) e as Forças de Apoio Rápido ( RSF ) forçou a família dele a se esconder por dias, sem comida ou água. Ao saírem, viram lojas saqueadas e comerciantes temerosos de abrir.

Rahama, que atuava como oficial de detenção e lecionava à noite, perdeu o emprego quando empresas de transporte encerraram atividades. A inflação e o elevado custo de vida, como o pão, pioraram a situação. A filha mais velha já havia partido para Nairobi para estudar.

Com medo de não encontrar trabalho no exterior, Rahama permaneceu no país enquanto a esposa, a mãe e a irmã com três filhos fugiram de ônibus para o Sudão do Sul, depois seguiram para o campo de refugiados de Kiryandongo, na margem de Biale, em Uganda. O campo abriga cerca de 600 mil sudaneses.

Impacto humano e deslocamento

Nesse período, a guerra interrompeu a vida da família Rahama e também desestruturou redes de apoio religioso. A antiga frequência de cerca de 40 a 50 fiéis pela manhã caiu para cerca de um quarto da capacidade do local de culto. Rahama, hoje coordenador de jovens da igreja, organiza atividades ao ar livre e estudos bíblicos, mantendo o contato com os entes no exterior sempre que possível.

O conflito provocou deslocamento de mais de 14 milhões de pessoas, segundo a Oxfam. Deste total, aproximadamente 4,5 milhões buscaram abrigo em países vizinhos como Chade, República Centro-Africana, Egito, Etiópia, Líbia e Sudão do Sul. As condições em campos de IDP muitas vezes carecem de comida, água e oportunidades de emprego.

Desdobramentos e condições atuais

Em 2023, Malak Louka, empresário em Omdurman, fugiu para o Egito com a família, retornando após pouco tempo devido à deterioração das condições. Muitos sulaneses não conseguem retornar por causa da destruição de moradias e da falta de serviços básicos. A economia do país permanece instável, com inflação elevada e aumento dos preços de alimentos.

Há relatos de deportações de refugiados no Egito, segundo organizações internacionais. Enquanto alguns retornam voluntariamente a áreas como Khartoum, as comunidades que voltam encontram bairros com acesso precário a energia, água e saúde. Em Kair, comunidades muçulmanas e não muçulmanas também relatam fraturas internas por alinhamentos políticos durante o conflito.

Rahama expressa preocupação com a saúde da família e a distância de 1.300 milhas para visitá-los. Mesmo com a pausa escolar de três meses, a renda dele depende de trabalhos temporários. A continuidade da violência, incluindo ataques a hospital e áreas urbanas, reforça a incerteza sobre o retorno seguro, mantendo o foco de Rahama na proteção e no cuidado com os jovens da igreja.

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