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Bolívia revoga lei que limitava estado de exceção

Revogação da Lei do Estado de Exceção amplia poderes do governo para decretar medidas excepcionais diante de bloqueios, em meio a protestos pela renúncia

Demonstrators from mining unions face police forces as they protest against President Rodrigo Paz's government amid an ongoing economic and fuel crisis, in La Paz, Bolivia, May 14, 2026. REUTERS/Claudia Morales
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  • O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, promulgou a revogação da Lei 1341, que limitava os poderes para decretar estado de exceção.
  • A mudança ocorre poucas horas após a aprovação da medida pela Câmara dos Deputados, em sessão on-line, na véspera.
  • A decisão foi aprovada pelo Senado no fim de semana, facilitando o uso do estado de exceção pelo governo para enfrentar os bloqueios de rodovias.
  • Os protestos que pedem a renúncia de Paz já duram quase um mês, reunindo camponeses, indígenas, professores, mineiros e outras categorias, com desabastecimento em várias regiões.
  • A revogação é apresentada pelo governo e por apoiadores como forma de manter a segurança e a tranquilidade públicas, sob críticas de setores da oposição.

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, promulgou nesta quarta-feira, 27, a revogação da Lei 1341, que limitava os poderes do chefe de Estado para decretar estado de exceção. A decisão ocorreu poucas horas após a aprovação da medida pela Câmara dos Deputados e da revisão no Senado.

A revogação facilita o uso do estado de exceção pelo governo, em meio a protestos que pedem a renúncia de Paz. Cerca de quatro semanas de mobilizações envolvem camponeses, indígenas, professores e mineiros, com bloqueios de estradas que geram desabastecimento em várias regiões.

Os bloqueios causam escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos em cidades afetadas. O governo afirma que a lei visava preservar a segurança e a ordem públicas em meio ao conflito político.

Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que a eliminação da restrição amplia a margem de manobra do Executivo para decretar estado de exceção. A oposição aponta que a legislação de 2020 tinha função de controle, não de instrumentalização do poder.

A revogação é apresentada como resposta à pressão interna de setores empresariais e de elites políticas de Santa Cruz, que defendem ações mais firmes contra os bloqueios. Grupos contrários já sinalizam possibilidades de desobstrução por iniciativa própria.

O autor do projeto de revogação, deputado Roberto Júlio Castro Salazar, afirma que a Lei do Estado de Exceção distorce o objetivo de manter a segurança pública e a tranquilidade. Ele sustenta que a norma não deve permitir abusos contra o funcionamento democrático.

A Constituição boliviana autoriza o estado de exceção em situações de ameaça à segurança, externa ou interna, ou desastres naturais. A medida precisa ser aprovada pelo Parlamento em até 72 horas após a decretação.

Desde o início do mandato de Paz, em dezembro de 2025, o país vive protestos intensificados por políticas agrícolas e subsídios de combustível. Os manifestantes acusam o governo de favorecer grandes empresários do agronegócio.

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