- O presidente Bassirou Diomaye Faye destituiu o primeiro-ministro Ousmane Sonko e todo o governo, rompendo a aliança que chegou ao poder em março de 2024.
- Sonko, líder do Pastef, mantém o controle do Parlamento, abrindo uma crise inédita de coabitação entre Executivo e Legislativo.
- A decisão foi anunciada pela Rádio Televisão Senegalesa (RTS) por meio de um decreto lido pelo secretário-geral da Presidência, Oumar Samba Ba, por volta das 22h locais.
- O choque entre Faye e Sonko envolve propostas sobre a dívida pública (aproximadamente 132% do PIB), com Faye buscando negociação com o Fundo Monetário Internacional e Sonko defendendo aumento de impostos e redução de gastos.
- O Pastef afirmou apoiar o trabalho do governo, enquanto Sonko mira a candidatura presidencial em 2029, mantendo influência sobre o partido e o Parlamento.
O presidente de Senegal, Bassirou Diomaye Faye, destituiu na sexta-feira o primeiro-ministro Ousmane Sonko e todo o seu governo. A medida rompe a aliança que chegou ao poder em março de 2024, abrindo uma crise institucional sem precedentes no país. Faye controla o Executivo, mas Sonko mantém liderança do parlamento, no comando do partido Pastef.
A destituição foi anunciada pela Radio Télévision Sénégalaise, com a leitura de decreto pelo secretário-geral da Presidência, Oumar Samba Ba, por volta das 22h locais. A decisão ocorre num momento de tensões entre os dois, que disputam a candidatura presidencial de 2029 e divergiam sobre políticas fiscais e de garantia de fundos públicos.
Anteriormente, Sonko criticou a paralisação de reformas sobre fundos políticos usados pelo governo, afirmando que, se Faye não promover lei de controle, atuaria pelo Conselho de Ministros. Horas depois, Faye assinou o ato de destituição, em meio a protestos de seguidores de Sonko em Dakar.
Sonko, figura carismática entre jovens, ascendeu à oposição e chegou ao poder com apoio de Diomaye em 2024, mas foi condenado por difamação a um ministro, o que o impediu de se candidatar naquela eleição. Mesmo assim, indicou Faye como candidato, que venceu as eleições com o Pastef, que também dominou o parlamento.
A partir de agora, Senegal vive uma coabitação política inédita: Faye preside o governo, enquanto Sonko ocupa o comando do Parlamento e lidera o Pastef. O pronunciamento público indica que os dois rupturas não chegam a um consenso sobre o rumo econômico do país, agravando incertezas que antecedem as próximas eleições locais.
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