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O duplo discurso do segundo líder xiita do Líbano

Nabih Berri, líder do Movimento Amal, equilibra interesses com Hezbollah, sinalizando linha própria para xiitas no Líbano diante da escalada regional

Lebanon's parliament speaker Nabih Berri presides over the first session of the newly-elected assembly at its headquarters in the capital Beirut on May 31, 2022.
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  • Nabih Berri, líder do Movimento Amal, tem desempenhado papel central na cena xiita do Líbano ao lado do Hezbollah, formando um duplo domínio desde os anos oitenta.
  • A batalha entre Hezbollah e o governo Líbano se intensificou após a decisão de banir o braço militar do Hezbollah, sem desarmamento imediato, sinalizando possível distanciamento entre Amal e Hezbollah.
  • Berri sinaliza disposição para diálogo sobre o destino das armas do Hezbollah, mas sem pressa em desarmamento, buscando manter influência política e equilíbrio interno.
  • Analistas veem a necessidade de avaliação interna na comunidade xiita sobre o apoio a Hezbollah, especialmente diante de deslocamentos civis e custos da guerra.
  • A posição de Berri depende de fatores regionais e das negociações entre Estados Unidos, Israel e Irã; ele se apresenta como o principal interlocutor doméstico no Líbano.

Nabih Berri, líder do Movimento Amal, criticou publicamente a atuação do Hezbollah no fim de fevereiro, em meio a ataques do grupo ao Israel em apoio ao Irã. Dias depois, ele interrompeu a tentativa de bloquear a decisão de banir a ala militar de Hezbollah.

Berri comanda o Amal, força shiita que forma com Hezbollah um duopólio político no Líbano desde os anos 1980. A expectativa é de que o grupo haja garantia de não se envolver em conflito direto com EUA e Israel, mantendo o país fora de uma nova guerra.

A proibição da ala militar não desarmou o Hezbollah nem encerrou a guerra, mas sinalizou coesão interna. Analistas cogitam que o Amal possa romper com o Hezbollah e abrir caminho para uma liderança shiita mais alinhada ao Estado.

Dilema do Amal

Berri atua como quem equilibra interesses: pode manter vínculos com Hezbollah ou consolidar a autonomia do Amal para representar os shiitas. A decisão dependerá da insatisfação dentro da comunidade e de pressões regionais.

Especialistas destacam que a relação entre o Amal e Hezbollah envolve fatores estratégicos, como a necessidade de manter a influência político-institucional dos shiitas no país e evitar a fragmentação sectária.

A onda de violência perto de áreas controladas pelo Amal e os impactos da guerra na região moldam o cenário. Em paralelo, há crescentes chamadas por federalismo entre diferentes confissões, o que complica ainda mais o tabuleiro político.

Oportunidades e riscos

Berri já sinalizou cautela em negociações com Israel e rejeitou até o momento a ideia de dialogar diretamente com o país. Essa postura pode aumentar a margem de manobra do Amal caso se imponha como mediador entre as partes.

Caso as negociações regionais avancem, o Amal pode emergir como a voz consolidada da facção shiita que busca reduzir a dependência de Hezbollah. Entretanto, a adesão popular ao grupo ainda é considerada resistente, diante das perdas humanas e materiais.

Especialistas ressaltam que a base shiita não reagirá de forma unânime. Enquanto parte da comunidade reconhece riscos da violência, outra parcela valoriza a estabilidade que Berri pode oferecer ao país.

O conflito contínuo entre EUA, Israel e Irã mantém Hezbollah como ator relevante. Enquanto isso, o Amal permanece atento a mudanças no cenário regional que possam redefinir sua função no governo e no equilíbrio sectário do Líbano.

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