- Nabih Berri, líder do Movimento Amal, tem desempenhado papel central na cena xiita do Líbano ao lado do Hezbollah, formando um duplo domínio desde os anos oitenta.
- A batalha entre Hezbollah e o governo Líbano se intensificou após a decisão de banir o braço militar do Hezbollah, sem desarmamento imediato, sinalizando possível distanciamento entre Amal e Hezbollah.
- Berri sinaliza disposição para diálogo sobre o destino das armas do Hezbollah, mas sem pressa em desarmamento, buscando manter influência política e equilíbrio interno.
- Analistas veem a necessidade de avaliação interna na comunidade xiita sobre o apoio a Hezbollah, especialmente diante de deslocamentos civis e custos da guerra.
- A posição de Berri depende de fatores regionais e das negociações entre Estados Unidos, Israel e Irã; ele se apresenta como o principal interlocutor doméstico no Líbano.
Nabih Berri, líder do Movimento Amal, criticou publicamente a atuação do Hezbollah no fim de fevereiro, em meio a ataques do grupo ao Israel em apoio ao Irã. Dias depois, ele interrompeu a tentativa de bloquear a decisão de banir a ala militar de Hezbollah.
Berri comanda o Amal, força shiita que forma com Hezbollah um duopólio político no Líbano desde os anos 1980. A expectativa é de que o grupo haja garantia de não se envolver em conflito direto com EUA e Israel, mantendo o país fora de uma nova guerra.
A proibição da ala militar não desarmou o Hezbollah nem encerrou a guerra, mas sinalizou coesão interna. Analistas cogitam que o Amal possa romper com o Hezbollah e abrir caminho para uma liderança shiita mais alinhada ao Estado.
Dilema do Amal
Berri atua como quem equilibra interesses: pode manter vínculos com Hezbollah ou consolidar a autonomia do Amal para representar os shiitas. A decisão dependerá da insatisfação dentro da comunidade e de pressões regionais.
Especialistas destacam que a relação entre o Amal e Hezbollah envolve fatores estratégicos, como a necessidade de manter a influência político-institucional dos shiitas no país e evitar a fragmentação sectária.
A onda de violência perto de áreas controladas pelo Amal e os impactos da guerra na região moldam o cenário. Em paralelo, há crescentes chamadas por federalismo entre diferentes confissões, o que complica ainda mais o tabuleiro político.
Oportunidades e riscos
Berri já sinalizou cautela em negociações com Israel e rejeitou até o momento a ideia de dialogar diretamente com o país. Essa postura pode aumentar a margem de manobra do Amal caso se imponha como mediador entre as partes.
Caso as negociações regionais avancem, o Amal pode emergir como a voz consolidada da facção shiita que busca reduzir a dependência de Hezbollah. Entretanto, a adesão popular ao grupo ainda é considerada resistente, diante das perdas humanas e materiais.
Especialistas ressaltam que a base shiita não reagirá de forma unânime. Enquanto parte da comunidade reconhece riscos da violência, outra parcela valoriza a estabilidade que Berri pode oferecer ao país.
O conflito contínuo entre EUA, Israel e Irã mantém Hezbollah como ator relevante. Enquanto isso, o Amal permanece atento a mudanças no cenário regional que possam redefinir sua função no governo e no equilíbrio sectário do Líbano.
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