- Em 2025, Irã executou 2.159 pessoas, o que representa 80% dos 2.707 registros de mortes por pena de morte no mundo divulgados pela Amnistía Internacional.
- As execuções globais aumentaram 78% em relação a 2024, quando houve 1.518 mortes.
- Pela AI, os números não incluem China, Coreia do Norte e Vietnam, que estimam grandes volumes; assim, as cifras globais costumam ser inferiores ao total real.
- Entre os países com maiores números, destacam-se EUA com 47 execuções, Arábia Saudita com 356, Kuwait com 17, Singapura com 17 e Egito com 23. Japão, Taiwan, Emirados Árabes Unidos e Sudão do Sul retomaram as execuções em 2025.
- Organizações destacam relação entre aumentos da pena de morte e regimes autoritários, além do uso como instrumento de dissuasão e de punições associadas a drogas; ainda há mais de 25 mil pessoas em corredor de morte em várias nações.
O relatório anual da Amnistía Internacional aponta um recorde mundial de aplicações da pena de morte em 2025, com 2.707 execuções confirmadas em 17 países. O maior peso recai sobre a República Islâmica do Irã, responsável por 2.159 dessas execuções, ou 80% do total. O documento também indica que as execuções globais aumentaram 78% em relação a 2024.
Entre os fatores destacados, a organização aponta uma aceleração do uso da pena capital após ataques entre Irã e potências rivais em 2025. Conforme o estudo, durante o primeiro semestre houve 654 execuções, e na segunda metade do ano o número superou as 1.500, mantendo a tendência de aumento no segundo semestre de 2025. No fim do ano, as cifras permaneceram desagregadas em muitos países.
Contexto global e Irã
No conjunto de países com registros, EUA é o único da América a manter execuções, com 47 casos em 2025. Outras nações com números relevantes são Arábia Saudita, com 356, seguido por Iêmen e EUA. Além disso, houve retomada de práticas de pena de morte em Japão, Taiwan, Emirados Árabes Unidos e Sudão do Sul, onde a aplicação havia sido reduzida ou suspensa.
Análise regional e causas
A Amnistía Internacional aponta que, em muitos casos, as mortes decorrem de cláusulas legais amplas sobre crimes perigosos como tráfico de drogas. A organização ressalta que a maior parte dos condenados procede de camadas de menor renda e de minorias étnicas, com procedimentos judiciais frequentemente marcados por falta de garantias. Globalmente, estima-se que 1.257 execuções relacionadas a drogas ocorreram em cinco países, cifra que supera o dobro do registrado em 2024.
Observações sobre o Irã
Especialistas citadas pela ONG destacam que os tribunais revolucionários atuaram com rapidez maior após 2025, limitando a presença de advogados e garantias processuais para muitos réus. Parte das condenações envolve crimes de alta traição, espionagem ou cooperação com forças estrangeiras, e uma parcela significativa envolve drogas. As autoridades iranianas também passaram a aplicar a pena de forma mais expedita, segundo o relatório.
Perspectivas e dados de abolição
Apesar do panorama concentrado em países autoritários, a Amnistía Internacional observa avanços em termos de aboluição. Em 1977, 16 países tinham abolido a pena de morte; hoje o número sobe para 113. Entre novidades positivas de 2025, a comutação de Rocky Myers no Alabama, EUA, representa o primeiro indulto explícito a um negro no estado. Regiões da África Subsariana mostram variações: apesar do aumento de condenações, as execuções caíram sensivelmente, e Gâmbia, Libéria e Nigéria discutem abolir a pena. No Líbano, o governo apoia projeto de lei para banir a prática.
Desdobramentos operacionais
Enquanto a prática se intensifica em algumas regiões, outras mantêm resistência. A Amnistía Internacional aponta que o uso da pena de morte continua ligado a decisões de governos com restrições a liberdades civis. A organização mantém a avaliação de que a pena de morte é uma ferramenta de intimidação de vozes dissidentes. As cifras globais, porém, devem permanecer incompletas por registros ausentes da China, Coreia do Norte e Vietnã.
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