- A libra esterlina acumula pior semana em dezoito meses, caindo para cerca de $1,336 na sexta-feira, em meio a incertezas sobre a liderança do Reino Unido.
- Andy Burnham, prefeito de Manchester, sinalizou possível desafio a Keir Starmer, o que intensifica o risco político no país.
- Os rendimentos dos títulos do governo britânico subiram, com o gilts de dez anos perto de 5,17% e o de trinta anos a 5,84%.
- A alta do preço do petróleo alimenta preocupações com inflação e pressões sobre os títulos soberanos.
- Analistas veem maior volatilidade nos ativos britânicos caso Burnham avance, com a necessidade de uma byelection em Makerfield antes de qualquer mandato.
O pound despencou na semana, sinalizando a pior performance em 18 meses, enquanto o mercado avaliava a possibilidade de Andy Burnham, prefeito de Manchester, disputar a liderança do Labour contra Keir Starmer ainda neste ano. A queda ocorreu após Burnham anunciar que pretende concorrer ao Parlamento, abrindo caminho para um eventual desafio à liderança.
Na prática, o recuo ocorreu ao longo da semana, com o dólar atingindo $1,336, o menor em cinco semanas. O pessimismo aumentou devido à incerteza sobre o futuro do governo e à percepção de que a disputa interna pode desorganizar o panorama fiscal do Reino Unido. O mercado enxergou riscos maiores de políticas fiscais flexíveis.
A percepção de que um eventual governo liderado por Burnham poderia afrouxar regras fiscais elevou a demanda por títulos de maior prazo, pressionando os rendimentos. Os juros de 10 anos britânicos subiram perto de 5,17%, cifra não vista desde 2008, enquanto os de 30 anos chegaram a 5,84%, um salto de 0,19 ponto percentual.
Os investidores lembraram declarações de Burnham, no passado, sobre a dependência do Reino Unido dos mercados de dívida, bem como o receio de um ciclo de alta de gastos para financiar políticas. Analistas ressaltaram que a atividade ainda depende de quem ocupará o cargo de chanceler, o que pode sinalizar continuidade ou mudança na linha fiscal.
Especialistas alertaram que a incerteza política tende a manter volatilidade nos ativos britânicos. Com o retorno esperado de Burnham ao Parlamento, o mercado avalia o prazo para uma possível candidatura formal, que depende de vitória em uma byelection no maior centro de Manchester, Makerfield, onde o atual deputado se desincompatibiliza para abrir espaço ao político.
A situação se complica pela proximidade de novas eleições locais e pela atuação de outros partidos. Reform UK mostrou força em Makerfield durante as eleições locais, enquanto o Green party também pode concorrer à vaga. O atual deputado, Josh Simons, deixará o cargo para viabilizar a candidatura de Burnham, que tem apoio popular segundo pesquisas, ainda que a janela para a vitória seja estreita.
Analistas ressaltam que a decisão final sobre o andar fiscal dependerá da composição do governo e da continuidade de políticas de responsabilidade fiscal. Caso Rachel Reeves permaneça no posto de chanceler, a percepção de continuidade pode acalmar parte do mercado, segundo especialistas.
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