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Juiz federal ordena devolver aos EUA colombiana deportada para o Congo

Julgador federal ordena devolver colombiana deportada ao Congo, sob risco médico, aumentando pressão sobre as deportações a terceiros países

Migrantes deportados de Estados Unidos en una imagen ilustrativa.
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  • Um juiz federal ordenou que a Administração de Donald Trump devolva aos Estados Unidos a colombiana Adriana María Quiroz Zapata, deportada para a República Democrática do Congo, apesar de Kinshasa ter rejeitado recebê-la por questões médicas.
  • Quiroz Zapata tem 55 anos e sofre de diabetes, hiperlipidemia e hipotiroidismo; o Congo não aceitou acolhê-la em razão de sua saúde.
  • A deportação ocorreu em 16 de abril, no âmbito do primeiro operativo entre os EUA e a RDC, quando outros migrantes latino‑americanos também foram enviados para lá.
  • O juiz afirmou que o envio à RDC provavelmente foi ilegal e que a mulher enfrenta risco diário de complicações médicas ou morte por não receber tratamento adequado.
  • O caso faz parte de um conjunto mais amplo de deportações a terceiros países, com acordos com dezenas de nações e milhares de migrantes em situação de limbo.

Um juiz federal dos Estados Unidos ordenou nesta semana que a Administração de Joe Biden, sucededora de Trump, transporte de volta para os EUA uma colombiana deportada para a República Democrática do Congo. Adriana María Quiroz Zapata, de 55 anos, enfrentava problemas de saúde graves após a deportação.

A deportação ocorreu em 16 de abril, quando Quiroz Zapata foi encaminhada à RDC por meio de um acordo de repatriação de terceiros países. Kinshasa, no entanto, não aceitou acolhê-la por questões médicas. A decisão judicial abriu questionamentos sobre a legalidade do envio em condições médicas desfavoráveis.

Segundo o tribunal, a autora atendia aos critérios de vítima de dano irreparável por ser enviada a um país que não poderia lhe oferecer tratamento adequado. O magistrado ressaltou o risco diário de complicações médicas, incluindo possibilidade de morte, caso permanecesse na RDC.

Quiroz Zapata deixou a Colômbia após alegações de violência por parte de um ex-companheiro ligado a instituições locais. Ela esteve integrada a um grupo maior de 15 migrantes deportados para a RDC, em um primeiro lote de ações entre EUA e Congo.

Os demais imigrantes argentinos, peruanos e equatorianos expulsos acompanhavam a colombiana até Kinshasa. Eles receberam apoio da Organização Internacional para as Migrações e permanecem em hotel na capital congolesa, buscando assistência médica e informações sobre retornos voluntários.

A mudança de rota de Quiroz Zapata é parte de uma política mais ampla dos EUA para deportações a terceiros países, que envolve acordos com diversos estados, inclusive alguns sem vínculo prévio com os migrantes. Em muitos casos, a situação médica ou a falta de documentos inviabilizam destinos reais.

Especialistas apontam que parte das deportações ocorre sem clareza suficiente sobre os direitos dos deportados e sem garantir condições mínimas de saúde, alimentação e higiene nos países anfitriões. Organizações de direitos humanos acompanham de perto esse tema, destacando riscos para quem é enviado a lugares com infraestrutura precária.

O caso de Quiroz Zapata ganha repercussão adicional em meio a debates sobre a legalidade de enviar pessoas para congêneres países sem que haja aceitação formal por parte do destino. A decisão judicial poderá orientar futuras medidas judiciais relativas a deportações para terceiros países.

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