- O Parlamento do Iraque aprovou Ali al Zaidi como novo primeiro ministro, com um governo parcial de 14 ministros, incluindo apenas uma mulher, devido à falta de consenso sobre outras nove pastas.
- O governo em funções busca encerrar seis meses de impasse político após as eleições de novembro, na tentativa de estabilizar o país e evitar uma guerra regional.
- As principais pendências envolvem Interior e Defensa; o desarme das milícias pró-Irã permanece como prioridade e desafio para o novo governo.
- Washington condicionou seu apoio a uma solução que reduza a influência das milícias, ao passo em que Iran mantém relações estáveis com Bagdá; o equilíbrio entre Estados Unidos e Irã é uma constante na política externa.
- A economia iraquiana enfrenta queda de receita por causa do fechamento do estreito de Ormuz, que afetou exportações de petróleo, elevando a pressão para ações contra a corrupção e para reformas.
O Parlamento do Iraque aprovou nesta quinta-feira o novo primeiro ministro, Ali al Zaidi, que assumiu com um governo parcial de 14 ministros, apenas uma mulher entre eles. A aprovação ocorreu após meses de impasse desde as eleições de novembro, que paralisaram o país por seis meses. O governo continuará em funções até que novas nomeações sejam concluídas.
Zaidi, empresário multimilionário de 40 anos, é visto como figura de consenso para estabilizar o país, reconstruir relações com o Golfo e manter equilíbrio entre Estados Unidos e Irã. O apoio parlamentar representa tentativa de encerrar a crise política e evitar aprofundar a instabilidade regional.
O Parlamento aprovou as pastas de petróleo e exteriores, entre outras, mas não conseguiu consenso sobre nove ministérios, entre eles Interior e Defesa. A formação de um governo pleno ficou pendente, refletindo reservas entre grupos políticos sobre a desmilitarização de milícias pró-iranianas.
Washington exerceu veto a nomes considerados pró-iranianos, o que influenciou a composição do governo. O governo em exercício busca atender demandas econômicas do país, afetado pela significativa queda de receitas com o estreito de Ormuz e pela inflação social.
A balança externa e a segurança interna permanecem delicadas. O país depende de exportação de petróleo para cerca de 60% do PIB e enfrenta pressão para reduzir a influência de milícias que atuam parallelas às forças oficiais. A situação é ainda marcada por tensões regionais.
Entre as prioridades de Zaidi estão estabilizar a economia, conter a corrupção e manter relação com Washington sem provocar ruptura com Teerã. O objetivo é evitar escalada de conflitos que possam afetar a população durante o processo de composição ministerial.
O presidente do Iraque, Nizar Amedi, anunciou a nomeação de Zaidi no dia 28 de abril, com prazo de 30 dias para formar o governo. O pacote de concessões busca consenso, excluindo líderes ligados a milícias apontadas como terroristas por autoridades americanas.
Analistas apontam que o desarmo de milícias continuará sendo um desafio. A presença de bases americanas e milícias curdo-iranianas no território iraquiano complica a construção de um governo estável e centrado na soberania nacional. O governo deve iniciar reuniões para sondar limites de Washington.
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