- A Australia Palestine Advocacy Network (Apan) teve o direito de aparecer negado perante a comissão real destinada a investigar antisemitismo e coesão social, em Sydney.
- A entidade entregou uma submission de 259 páginas sobre antisemitismo, racismo e coesão social, mas foi informada de que não possuía interesse direto e substancial para as audiências públicas.
- Apan afirma que excluir vozes da comunidade palestina pode resultar em um relato incompleto e polarizado sobre o aumento do antisemitismo.
- A comissão está tratando, no bloco de audiências 1, a definição de antisemitismo, suas manifestações históricas e atuais e o impacto sobre judeus australianos; Apan terá oportunidade de se manifestar por escrito ao fim do bloco 1.
- O presidente da Apan, Nasser Mashni, disse estar decepcionado e afirmou que é essencial que palestinos possam criticar políticas israelenses sem que a crítica seja confundida com antisemitismo.
O Conselho Real de Comissões na Austrália negou à APAN (Australia Palestine Advocacy Network) a permissão para comparecer na audiência pública sobre antisemitismo e coesão social, realizada em Sydney. A APAN apresentou uma submissão detalhada sobre antisemitismo, definição e racismo, mas foi informada de que não possuía interesse direto e substancial suficiente para intervir na oitiva.
Os organizadores da APAN informaram que a exclusão de vozes da comunidade palestina pode resultar em um quadro incompleto e polarizado sobre o aumento do antisemitismo. A rede destacou que a investigação tende a tratar criticamente críticas a Israel, ao sionismo e às ações de Israel na Faixa de Gaza como antissemíticas, sem uma apuração rigorosa.
A APAN entregou uma submissão de 259 páginas, incluindo depoimentos de especialistas em história do Oriente Médio, judaísmo e direito internacional, com base no Reino Unido e nos EUA. A entidade argumenta que antisemitismo e anti-sionismo costumam ser confundidos, o que dificulta combater o preconceito e deslegitima críticas às políticas de Israel.
A equipe jurídica da APAN pediu autorização para participar da audiência pública, mas o comissário não ficou satisfeito com o argumento de que a APAN tinha interesse direto e substancial no tema da sessão. A comissão confirmou que a APAN terá espaço para responder por escrito ao fim do bloco 1. A decisão foi recebida com decepção pela entidade.
O presidente da APAN, Nasser Mashni, afirmou que a comunidade palestina e seus aliados precisam de igual acesso democrático e que a exclusão diante de denúncias de racismo contra palestinos envia uma mensagem de exclusão. Mashni ressaltou a importância de criticar políticas de Israel sem associar críticas ao antissemitismo.
A audiência de Block 1 já ouviu testemunhos de várias instituições, incluindo grupos judeus que apontam a equação entre ser judeu e apoiar políticas israelenses. Block 1 avançou além do previsto, com alguns dias de audiência cancelados. Block 2 está previsto para começar em 25 de maio e analisará, entre outros temas, o ataque em Bondi Beach ocorrido em dezembro anterior.
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