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Canciller da Guatemala afirma que a democracia é dívida com o povo venezuelano

Canciller guatemalteco afirma que a democracia é uma dívida com o povo venezuelano, enquanto aponta pressões dos EUA e avanço da direita na região

El ministro de Exteriores de Guatemala, Carlos Ramiro Martínez, este martes en Casa de América, en Madrid.
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  • O ministro de Relações Exteriores da Guatemala, Carlos Ramiro Martínez, analisa crises políticas na região, as pressões de Donald Trump e o avanço da direita, com Guatemala no centro de rotas migratórias.
  • Sobre imigração, ele aponta dois impactos de Trump: continuam deportações para Guatemala, mas em menor volume, e guatemaltecos no exterior enfrentam maior perseguição nos EUA, afetando vida cotidiana.
  • A segurança é o maior desafio para o país, exigindo cooperação com vizinhos e com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico.
  • Em relação a Venezuela, Martínez afirma que a democracia é uma dívida com o povo venezuelano e não vê, no momento, sinais de transição democrática.
  • O chanceler comenta a cúpula ibero-americana em Madrid e a possibilidade de a região liderar reformas no sistema das Nações Unidas, destacando a necessidade de diálogo e cooperação.

O ministro das Relações Exteriores da Guatemala, Carlos Ramiro Martínez, afirmou que a democracia é uma dívida com o povo venezuelano. A declaração foi feita durante entrevista em Madri, após uma visita de trabalho na Espanha, em meio a uma leitura da situação política da América Latina.

Martínez analisou a crise venezuelana, a atuação de governos de esquerda e direita na região e as pressões externas, incluindo ações do governo dos EUA. O chanceler guatemalteco destacou o papel de seu país diante de um cenário regional marcado por insegurança, migração e discurso de lei e ordem.

O ministro disse que Guatemala não reconhece plenamente o governo venezuelano atual e reconheceu dificuldades recentes para avanços democráticos na Venezuela. Questionado sobre transições democráticas, ele afirmou não ver condições atuais para uma mudança ordenada, mantendo o foco em soluções para o povo venezuelano.

A respeito da imigração e das políticas de imigração dos EUA, Martínez apontou dois efeitos para os guatemaltecos: o retorno de cidadãos e o aumento de insegurança entre aqueles que residem no exterior, gerando apreensão na comunidade migrante e impacto nos consulados e escolas nos EUA.

Sobre a cooperação regional no combate ao narcotráfico, o chanceler destacou a necessidade de parceria com Estados Unidos e países vizinhos. Segundo ele, a segurança é o principal desafio que exige ações conjuntas, não apenas nacionais, para enfrentar criminalidade organizada.

Guatemala mantém posição crítica em relação ao bloqueio a Cuba, defendendo o fim das medidas e observando a crise humanitária atual. O país também condena o regime em Nicarágua, com relação diplomática suspensa e envio de prisioneiros por questões humanitárias.

Na região, o ministro avaliou o peso de políticas de “mano dura” em El Salvador e Guatemala, ressaltando que experiências anteriores não obtiveram resultados duradouros. Ele indicou que o tema pode ressurgir no âmbito eleitoral guatemalteco do próximo ano.

Sobre o papel da democracia, Martínez destacou que o regime oferece menor espaço a abusos contra direitos e maior participação pública, mesmo diante de pressões. Ele ressaltou a importância de fortalecer instituições para enfrentar a violência e a desestabilização.

No âmbito ibero-americano, o chanceler expressou a expectativa de um reequilíbrio na cúpula que ocorrerá em Madrid, prevendo maior diálogo e cooperação entre as nações. Em relação à ONU, defendeu liderança latino-americana na reforma multilateral, com expectativa de um secretário-geral latino-americano no próximo mandato.

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