- Donald Trump assinou nova estratégia nacional de contra-terrorismo, com foco inicial em combater cartéis na América, mudando a prioridade em relação a jihadistas e supremacistas brancos.
- Especialistas questionam legalidade de ações contra cartéis e destacam que organizações criminosas não são terroristas; o documento omite, porém, o papel de extremismo de direita.
- Em relação ao Irã, o regime sinalizou considerar uma proposta de paz dos EUA, enquanto Trump fez warning de ataques mais intensos se não houver acordo; operação naval ligada ao estreito de Hormuz foi suspensa e pode ser retomada.
- Israel realizou ataque a Beirute, pressionando o cessar-fogo com o Líbano, e houve anúncio de retomada de negociações entre ambos, com EUA tentando facilitar a de-escalada.
- Uma avaliação da CIA, conforme o The Washington Post, indica que o regime iraniano pode resistir à bloqueio portuário dos EUA por meses.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional de contraterrorismo que define a atuação dos EUA contra ameaças internas e externas. O documento, divulgado nesta semana, aposta no enfrentamento de cartéis de drogas na América Central e do Sul como prioridade inicial, deslocando o foco de estratégias anteriores.
Segundo a administração, a nova diretriz sinaliza uma mudança de ênfase, deslocando o eixo de ameaças de jihadistas e grupos supremacistas brancos para organizações criminosas transnacionais associadas ao tráfico de drogas. A divulgação ocorre mais de oito meses após ataques a barcos de drogas no Caribe e no Pacífico, atribuídos à campanha de Trump contra “narcoterroristas”.
Especialistas questionam a linha adotada. A equipe de legalistas aponta possíveis conflitos com leis domésticas e internacionais ao classificar cartéis como terroristas. O estrategista de contraterrorismo, Colin Clarke, afirma que ilegalmente o combate a esses grupos seria mais adequado à atuação policial, não militar.
O autor da estratégia, Sebástian Gorka, enfrentou críticas pela demora na divulgação do documento. O texto descreve como prioridade a neutralização rápida de grupos políticos violentos, com ênfase em correntes esquerdistas, segundo leituras de especialistas, o que gerou debates sobre omissão de extremismo de direita.
Apesar das ressalvas, a estratégia afirma retornar os EUA a uma política de contraterrorismo “comum e baseada na realidade”. Análises apontam que o documento não menciona explicitamente o extremismo de direita, apesar de dados empíricos indicarem ataques letais ligados a esse espectro.
A política externa dos EUA também aborda ameaças “legadas” de extremistas islâmicos, listando-os entre as três maiores categorias de grupos terroristas. Críticos destacam que o texto carece de detalhamento sobre capacidades dos grupos jihadistas.
Airlão iraniano e tensões regionais
O governo americano mantém negociações com o Irã, em meio a um quadro de instabilidade regional. O Irã informou que avaliaria uma proposta de paz dos EUA e comunicaria a resposta via Paquistão, mediador entre as partes.
Trump publicou em redes sociais que, caso não haja acordo, haveria bombardeio em nível superior ao anterior, e manifestou otimismo de que o Irã quer um acordo. A expectativa de fim de hostilidade é acompanhada por indicativos de avanço, como a suspensão de uma operação naval para escolta de navios no Estreito de Hormuz, temporariamente interrompida.
Um relatório confidencial da CIA, citado pela imprensa, sugere que o regime iraniano pode sustentar o bloqueio de portos por meses, mesmo diante de pressões dos EUA. No Oriente, Israel realizou um ataque aéreo em Beirute, no Líbano, para pressionar o equilíbrio na região e manter a pressão sobre o cessar-fogo.
O ataque deixou mais de uma dezena de mortos, incluindo um líder da Hezbollah, e houve declarações de reforço de posicionamentos por parte do primeiro-ministro de Israel e do ministro da Defesa. Enquanto isso, os esforços para manter o cessar-fogo continuam, com sinais de retomada de negociações entre Israel e Líbano.
Perspectivas e próximos passos
O Departamento de Estado dos EUA informou que as negociações de desescalada entre Israel e Líbano devem retornar a Washington na próxima semana. Entre eventos anunciados, há agendas para visitas e depoimentos de comandantes militares em comissões do Senado, além de marcos econômicos e políticos de relevância internacional.
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