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Drones que disparam e comerciante azul assustam pescadores no Equador

Dois ataques com drones atingiram pesqueiros perto de Galápagos; 38 sobreviventes, oito desaparecidos e dúvidas sobre atuação militar estrangeira, sobretudo dos EUA

Pescadores en el puerto de San Mateo (Ecuador), en una imagen de archivo.
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  • Em alto mar, perto das ilhas Galápagos, o pesqueiro Don Maca foi atingido por drones que lançaram explosivos, deixando feridos e oito desaparecidos entre os tripulantes.
  • Os 20 pescadores, distribuídos em seis lanchas, buscaram abrigo em um navio azul com contêineres, onde foram cercados, algemados e encapuchados por homens que pareciam militares.
  • Eles passaram a madrugada sob controle do grupo no convés e só foram entregues a uma patrulha marítima de El Salvador, oito dias depois, sendo deportados no dia seguinte.
  • Outro barco, Negra Francisca Duarte II, com 16 tripulantes, sofreu ataque similar em março; houve ferimentos e a tripulação conseguiu fugir para as lanchas.
  • O caso se insere em um contexto de ações atribuídas aos Estados Unidos contra o tráfico de drogas; já são três ataques documentados, com 38 sobreviventes e oito desaparecidos.

Drones que disparam e um mercante azul aparecem em alto-mar perto de Galápagos, Ecuador, deixando 38 pescadores sobreviventes, oito desaparecidos e relatos de abusos durante operações antidrogas com participação de Estados Unidos. O ataque ocorreu no 26 de março, quando o cargueiro Don Maca, pesca artesanal, foi alvo de explosões próximas à sua embarcação.

Os sobreviventes descrevem um cenário de confusão: uma sirene, explosões na cozinha e no centro do barco, além de ferimentos por queimaduras. A tripulação, que navegava em seis lanchas, buscou abrigo em um barco azul com contêineres após as explosões, segundo relatos coletados por autoridades locais.

Cheo, o cozinheiro, ficou ferido e perdeu a consciência. Outros membros foram lançados ao piso e alguns sofreram ferimentos graves, com relatos de hemorragias. A ação, que durou até a madrugada do dia seguinte, resultou na captura de parte da tripulação por homens vestidos como militares, em inglês, na proa do cargueiro.

Havia a travessia de uma semana entre o retorno ao porto e a confirmação de que o Don Maca havia sido atingido. Ao retornar a Manta, a família aguardava informações com apreensão, sem confirmação sobre o paradeiro de oito tripulantes desaparecidos. O armador informou que a equipe não retornou ao mar desde então.

O episódio integra uma série de ataques envolvendo forças de diversas nações. Registros apontam que, desde setembro do ano anterior, ataques a supostas embarcações ligadas ao tráfico teriam ocorrido no Caribe e no Pacífico oriental, com várias mortes e alguns sobreviventes. As autoridades ecuatorianas ainda não apresentaram uma explicação oficial sobre quem estaria por trás das ações.

Entre os ataques documentados, também houve o caso da Negra Francisca Duarte II, com 16 tripulantes, que sofreu explosões similares perto de Galápagos, pouco tempo antes do incidente com o Don Maca. Em ambos os casos, as equipes foram rejeitadas por autoridades locais e entregues a autoridades de outros países, sem informações claras sobre os motivos ou o andamento das investigações.

Ao longo das semanas seguintes, famílias de pescadores buscaram respostas na Capitania do Porto e em abrigos locais, sem obtê-las. O ministro da Defesa do Equador, ao ser questionado, defendeu ações internacionais, mas não confirmou envolvimento direto de autoridades americanas. Não houve posição oficial pública de Washington sobre o tema.

Os relatos também destacam o impacto humano nos familiares. Entre as oito ausências, os familiares de Jefferson Mero Cueva descrevem a angústia de esperar por respostas, mantendo rituais de oração e esperança. A comunidade local segue monitorando a situação, com pedidos de esclarecimentos e de retorno seguro aos pescadores desaparecidos.

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