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ICE britânico mira trabalhadores estrangeiros não brancos em restaurantes

Raids da fiscalização de imigração britânica são acusadas de mirar trabalhadores não brancos, levantando críticas sobre poderes e impactos às empresas

‘It’s guilty under proven innocent’ … Mandira Moitra Sarkar (fourth left) with employees at Mandira’s Kitchen, which was raided in September.
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  • Agentes de fiscalização de imigração do Reino Unido invadiram Mandira’s Kitchen, em Guildford, Surrey, em setembro, sem mandado, questionando funcionários e exigindo passaportes.
  • A ação ocorreu durante o funcionamento normal do restaurante, com 11 oficiais da Ice (contingente de imigração) acompanhados por dois policiais locais; o atendimento durou cerca de 37 minutos sem comprovação de irregularidades.
  • Controvérsias surgem sobre uso de poder de entrada sem mandado, baseadas em suposta “dica anônima” e em licenças de atividade licenciada pela Licencing Act de 2003; a operação também pode ter incluído verificação de funcionários não brancos de origem estrangeira.
  • Mandira’s Kitchen e Facing Heaven foram abordados no âmbito de uma ofensiva maior contra trabalho ilegal, parte de mais de 17,4 mil operações desde julho de 2024, com denúncias de abusos de poder e de racismo estrutural.
  • Organizações de defesa e ex-policiais indicam que muitas operações são desencadeadas por denúncias anônimas, com pouca clareza sobre direitos dos empresários, e que a prática tem gerado críticas sobre adoção de abordagens intimidatórias.

O Ministério do Interior do Reino Unido, por meio de seus agentes de conformidade imigratória, realizou nesta semana uma série de abordagens a estabelecimentos comerciais para verificar a presença de trabalhadores sem autorização. As operações, que ocorreram em diferentes regiões, seguem a linha de fiscalização intensificada desde julho de 2024, segundo o governo.

Em Surrey, próximo a Guildford, no condado de Surrey Hills, a empresa Mandira’s Kitchen foi visitada por uma equipe de 11 agentes da Ice, apoiados por dois policiais locais. O grupo entrou no restaurante sem mandado aparente, durante o serviço, mantendo entradas bloqueadas e realizando interrogatórios aos funcionários. A proprietária, Mandira Moitra Sarkar, informou que a visita ocorreu quando ela estava em viagem ao exterior e recebeu uma ligação de uma funcionária. O não cumprimento de procedimentos formais e a presença de clientes durante as perguntas foram apontados pela proprietária como aspectos marcantes da operação. Os oficiais perguntaram sobre documentos, vínculos familiares e estudos dos empregados.

Na mesma operação, cinco jovens trabalhadores foram questionados no interior da cozinha. Ao término de 37 minutos sem identificação de irregularidades, os agentes deixaram o local. Uma observação da proprietária é de que o veículo da Ice deixou o estacionamento sem efetuar pagamento de taxa reservada a não-clientes, prática costumeira, segundo relatos.

O caso de Mandira’s Kitchen integra um conjunto maior de ações sob o Licensing Act 2003, utilizado pela Ice para ingressar em estabelecimentos que realizam atividades licenciadas, como venda de alimentos após determinados horários. Em 2025, restaurantes, lanchonetes e cafeterias responderam por cerca de 28% das operações de fiscalização, índice superior ao de outras atividades comerciais. A verificação ocorreu sem que houvesse confirmação de ilegalidade entre os funcionários.

A segunda abordagem destacada ocorreu em east London, no restaurante Facing Heaven, situado próximo ao Broadway Market. A equipe envolveu cerca de 10 oficiais, com interrogatórios a funcionários não brancos, segundo relatos do gerente James Nolan. O objetivo alegado foi verificar a conformidade trabalhista com base em uma denúncia anônima sobre trabalhadores de origem bengali. Ao final, quem dirigia as perguntas relatou que não houve detecção de trabalhadores irregulares, mas a experiência gerou sensação de intimidação entre funcionários.

Os raids têm gerado debates sobre a aplicação do Licensing Act e a prática de abordagens sem mandados, com críticas de organizações de defesa de imigrantes que apontam racismo estrutural e desproporcionalidade. Grupos de monitoramento indicam que a maioria das denúncias ocorre por meio de informações anônimas, muitas vezes apresentadas por concorrentes ou partes interessadas no entorno comercial.

A experiência de negócios afetados também envolve proprietários com licença de patrocínio de trabalhadores. A Reach de fiscalização é acompanhada por relatos de que moradores de minorias podem enfrentar maior risco de abordagem, o que tem alimentado relatos de estigmatização e impactos no funcionamento diário dos estabelecimentos, mesmo sem comprovação de irregularidade.

Em resposta, o governo afirma que as operações são orientadas por inteligência e que raça ou etnia não influenciam as decisões operacionais, destacando que trabalhadores ilegais prejudicam empregadores honestos, comprimem salários locais e alimentam crimes de imigração. Organizações de defesa ressaltam que o impacto emocional e econômico de cada abordagem é significativo, com interrupção de serviços, medo entre empregados e custos legais para os empresários.

As situações recentes reforçam o debate sobre a eficácia e os limites das ações de fiscalização imigratória no país, bem como sobre a necessidade de clareza nos direitos dos empresários e trabalhadores diante de visitas administrativas não anunciadas. A guarda de informações sobre etnia durante as operações permanece um ponto de controvérsia no acompanhamento público dos casos.

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