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Queremos mudanças, mas não assim: iranianos sob ataques aéreos

Civis iranianos enfrentam ataques aéreos diários; até 3,2 milhões foram deslocados temporariamente, comércio e escolas sob pressão e vida em Teerã gravemente afetada

Asal, 35, a clothes designer who runs her own atelier. She says she still feels calm and safe in her home. She wants to stay, even when difficult. It’s her home. Photograph: Mohammad Mohsenifar
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  • Até 3,2 milhões de iranianos foram temporariamente deslocados desde o início da campanha militar EUA-Israel, estimativa da agência de refugiados.
  • Em Teerã, bombardeios continuam enquanto muitos moradores permanecem em casa e buscam manter meios de subsistência.
  • Civis relatam rotina interrompida: escolas, negócios e atividades diárias impactados pelas ações militares e interrupções de serviços.
  • Já são pelo menos 1.444 mortos e quase 19 mil feridos; órgãos internacionais destacam o alto custo humano e infraestrutura comprometida.
  • Moradores expressam desejo por mudança, sem apoiar o regime atual ou retorno de uma monarquia, e destacam esforço comunitário para enfrentar a crise.

A guerra que envolve Irã, EUA e Israel entra na terceira semana, com ataques aéreos frequentes em Teerã e cidades vizinhas. Milhares de civis permanecem em suas casas, mesmo diante de sirenes e explosões, buscando manter empregos e rotinas.

Segundo dados da agência da ONU para refugiados, até 3,2 milhões de iranianos ficaram temporariamente deslocados desde o início do conflito. O número tende a subir conforme a escalada se estende no tempo.

Em Teerã, muitos moradores fugiram para áreas rurais ou montanhas, mas milhões seguem no setor urbano. O som de detonações tornou-se parte do cotidiano, alterando hábitos, trabalho e lazer.

Mudanças na vida cotidiana

Zeinab, 30 anos, designer de joias, viu seu comércio on-line reduzir-se após a interrupção da internet e, agora, pela guerra. Ela e o marido reformaram o apartamento e mantêm a rotina em diferentes endereços para se manterem seguros.

O casal costuma passar as noites com amigos, em diferentes apartamentos da cidade, levando comida para compartilhar. A família resiste à incerteza, mantendo o afeto e a sensação de comunidade.

Ali, 36, palestino-sírio que vive há uma década em Teerã, cursa doutorado e leciona na universidade. Ele relata que a experiência de guerra tornou-se um endurecimento emocional e que o cotidiano é marcado pela preocupação constante.

Amir, 40, comerciante que distribui pastilhas de freio, diz que a atividade permanece, mas teme um prolongamento do conflito. O panorama econômico iraniano já é desfavorável, com impactos diretos nos negócios.

Abbas Agha, 40, trabalha com Amir em uma pequena loja na região sul de Teerã. Os dois enxergam os riscos de uma guerra prolongada para a economia e para a situação de consumo da população.

Impactos e números oficiais

O governo iraniano informou que, desde o início do conflito, pelo menos 1.444 pessoas foram mortas e cerca de 19.000 ficaram feridas. O país respondeu a ataques com ações contra alvos na região, enquanto se reativavam canais de comunicação com representantes internacionais.

Osite da região aponta que o petróleo permanece volátil, com preços acima de US$ 100 o barril, em função de decisões como o bloqueio estratégico do Estreito de Hormuz e da percepção de riscos no transporte de energia.

Profissionais humanitários destacam o peso sobre infraestrutura civil e habitações. Acesso à educação também foi prejudicado, com escolas fechadas temporariamente em várias áreas da capital.

Mohtaba, 30, trabalha em um escritório em um porão de Teerã e diz que se sente mais seguro ali. Ele relata que as explosões interrompem o sono e exigem vigilância constante, sem previsões sobre quando a situação retorna ao normal.

Moen, 14, estudante do ensino médio, descreve o confinamento em casa, a falta de contato com amigos e a incerteza sobre o retorno às aulas. A rotina escolar permanece suspensa, sem data de retomada.

Asal, 35, designer de roupas, afirma que não pretende deixar Teerã. Ela destaca a importância de manter a própria casa, a adaptação do trabalho e a esperança de dias melhores, mesmo diante do medo diário.

O conflito também envolve a comunidade internacional. A presença de refugiados e estudantes estrangeiros na capital é significativa, com dezenas de países representados em universidades locais, segundo dados de fontes locais.

Em Teerã, a vida segue sob ameaça constante, com moradores buscando manter vínculos sociais, serviços básicos e atividades produtivas, enquanto trabalhadores e comerciantes tentam preservar seus meios de subsistência diante da incerteza.

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