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Justiça condena Estado peruano por morte de mãe em esterilização forçada

Corte Interamericana declara o Estado do Peru responsável pela morte de Celia Ramos após ligadura tubária coercitiva, apontando falhas sistêmicas

Women protesting in Lima in 2016 to highlight the forced sterilisation of at least 340,000 Peruvians in the 1990s under president Alberto Fujimori.
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  • Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Peru pela morte de Celia Ramos, ocorrida em 1997, após cirurgia de ligadura de trompas realizada sob coerção.
  • A decisão aponta responsabilidade internacional do estado pela violação do direito à vida, à saúde, à integridade pessoal, à família e à igualdade diante da lei.
  • A paciente foi pressionada por profissionais de saúde a se submeter ao procedimento em uma instalação improvisada, sem equipamentos adequados para avaliação de riscos ou atendimento de emergências.
  • O tribunal destacou que o Peru falhou em investigar o caso de forma diligente e proporcionou impactos negativos às filhas, ao marido e à mãe de Ramos.
  • O veredito integra o reconhecimento de uma campanha de esterilização forçada entre 1996 e 2000, que atingiu cerca de 314 mil mulheres e 24 mil homens, principalmente indígenas e pobres.

O tribunal de direitos humanos da América encontrou o Estado do Peru responsável pela morte de Celia Ramos, em 1997, após uma ligadura de trompas realizada sob coerção. O caso envolve uma mulher rural, mãe de três filhas, que morreu 19 dias após o procedimento.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos declarou o Peru internacionalmente responsável pela violação do direito à vida, à saúde, à integridade pessoal, à família e à igualdade diante da lei, bem como pela falta de acesso à informação. A decisão aponta que o procedimento ocorreu em um local improvisado, sem equipamentos adequados para avaliação de riscos ou manejo de emergências.

O tribunal também observou falhas na investigação inicial e atraso injustificado na apuração do ocorrido, bem como o impacto da morte nas filhas, no marido e na mãe de Ramos. A decisão responsabiliza o Estado pela violação de direitos e pelo efeito prejudicial sobre a família.

Contexto do caso

Entre 1996 e 2000, o Peru promoveu um programa de esterilização voltado a mulheres pobres, principalmente indígenas, com metas numéricas definidas pela Gestão de Saúde Reprodutiva Nacional. Estima-se que mais de 314 mil mulheres e 24 mil homens tenham sido esterilizados, em grande parte sob coercão ou sem consentimento válido.

Reações e desdobramentos

Organizações internacionais de direitos humanos consideraram a decisão histórica para a América Latina, ressaltando o reconhecimento de que direitos sexuais e reprodutivos são direitos humanos. As filhas de Ramos participaram de coletiva de imprensa em Lima para comentar a decisão e os impactos duradouros para as vítimas.

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