- A guerra entre EUA e Israel contra o Irã pode desviar a atenção e recursos ocidentais, deixando a Ucrânia em segundo plano.
- Especialistas divergem: é possível menos armamentos para a Ucrânia se o Ocidente priorizar o Irã.
- O aumento dos preços do petróleo pode beneficiar a Rússia, que poderia oferecer energia à Europa em troca de concessões, embora haja dúvidas sobre ganhos a longo prazo.
- O conflito também pode trazer desgaste político para Moscou, dificultando manter seu domínio em outras regiões.
- A Ucrânia pode tirar vantagem da experiência com drones iranianos; Zelenski sugeriu envio de especialistas ao Golfo para interceptação, fortalecendo apoio regional.
A guerra entre EUA e Israel contra o Irã, em curso no Oriente Médio, pode influenciar a dinâmica da guerra na Ucrânia. Países ocidentais viram a região ganhar destaque na agenda global, com consequências para o apoio militar à Ucrânia. Especialistas apontam impactos variados para Kiev, dependendo de desdobramentos regionais e estratégicos.
O conflito pode reduzir o fluxo de armas para a Ucrânia, enquanto a Rússia se beneficia de uma atenção ocidental voltada para o Irã. Analistas destacam que o esforço de Washington e seus aliados no Oriente Médio pode representar restrições logísticas para Kiev, principalmente no fornecimento de mísseis antiaéreos e outros equipamentos.
Por outro lado, a situação pode favorecer a Ucrânia se a guerra estimular mudanças rápidas na política regional. Alguns especialistas veem potencial para que a presença de adversários na região leve a ajustes de apoio ocidental à Ucrânia, caso haja encerramento rápido do conflito com o Irã.
Desdobramentos estratégicos
Segundo Markus Reisner, historiador militar, a guerra no Irã funciona como um “presente estratégico” para Rússia e China, ao desviar a atenção ocidental. Ele aponta risco de a Ucrânia ficar em segundo plano, com menos armamentos disponíveis.
Ihor Semywolos, diretor do Centro de Estudos do Oriente Médio de Kiev, reforça a possibilidade de esgotamento de recursos militares essenciais à Ucrânia. Para ele, um prolongamento do confronto com o Irã poderia tornar o Ocidente mais flexível para pôr fim à guerra na Ucrânia, fortalecendo a posição russa.
Vitaliy Portnikov, analista ucraniano, sustenta que o desfecho rápido da guerra com o Irã é desejável para a Ucrânia. Esse cenário poderia levar a maior estabilidade no Oriente Médio e a um enfraquecimento relativo de potências rivais na região.
Impactos energéticos e econômicos
Especialistas apontam que o conflito tende a elevar o preço do petróleo e do gás, favorecendo a Rússia, que pode buscar acordos de fornecimento com a Europa em condições favoráveis. A alta nos combustíveis também alimenta custos para cidades e indústrias globais.
O Brent superou 80 dólares por barril em março, após o bloqueio de parte do Estreito de Ormuz pelo Irã. Analistas indicam que, se a disputa se prolongar, o preço do petróleo pode ultrapassar 100 dólares. Ainda assim, não há certeza sobre duração nem sobre o efeito líquido para a Rússia.
Wilfried Jilge, da DGAP, não descarta impactos adversos de longo prazo sobre a economia russa, mesmo com eventuais ganhos momentâneos. Segundo ele, sanções ocorrem e podem dificultar a prosperidade econômica do país ao longo do tempo.
Riscos políticos para Moscou
Apesar de supostas vantagens, o novo conflito pode trazer desgaste político para a Rússia. A capacidade de Moscou de sustentar alianças em outras regiões é questionada por analistas, que veem possíveis sangrias estratégicas.
Jilge aponta que a pressão do conflito na Ucrânia dificulta manter domínio em áreas adicionais, o que pode levar a questionamentos no círculo próximo a Putin sobre a continuidade do desgaste militar.
Experiência ucraniana e drones iranianos
A Ucrânia tem acumulado experiência na neutralização de drones iranianos, usados pela Rússia no início da guerra. O Irã também tem empregado drones contra alvos nos EUA e na região do Golfo. Kiev avalia enviar especialistas para o Golfo para interceptação de drones, conforme chefe de governo ucraniano.
Portnikov destaca que a cooperação entre países do Golfo e a Ucrânia pode incluir sanções à Rússia e apoio financeiro. Reisner vê benefícios para a Ucrânia a partir de maior disponibilidade de assistência dos aliados europeus.
Reforço do apoio ocidental
Especialistas defendem que a Europa deve intensificar o suporte já existente, independentemente do desfecho no Irã. Medidas sugeridas incluem ações contra a chamada frota fantasma russa, utilizada em operações ilícitas de petróleo e em atividades militares.
Jilge recomenda passos decisivos na entrega de equipamentos militares à Ucrânia e novas iniciativas de apoio. A ideia é manter a Ucrânia melhor preparada diante de cenários geopolíticos em mudança.
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