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CEO de streaming de música cria mapa de ameaças open source no tempo livre

World Monitor mapeia tensões globais em tempo real usando mais de cem fluxos de dados e sinais físicos, para detectar padrões antes de virar notícia

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  • World Monitor é uma plataforma de monitoramento de conflitos em tempo real criada por Elie Habib, CEO da Anghami.
  • O projeto começou como desafio de fim de semana e, até 3 de março, registrou mais de dois milhões de visitantes.
  • O sistema agrega mais de cem fluxos de dados, incluindo ADS-B, AIS, detecções de fogo via satélite, interrupções de internet e movimentos de navios.
  • Opera sem edição humana, usando uma hierarquia de fontes confiáveis (agências de notícias, ONU, governo, BBC, Al Jazeera, entre outras) e um algoritmo de convergência para sinalizar eventos.
  • O objetivo é evoluir para entender sinais globais e prever onde eles convergem antes de virarem notícia, com uma audiência internacional e arquitetura cada vez mais escalável.

Elie Habib, executivo da Anghami, criou World Monitor como um projeto de fim de semana para entender a guerra em tempo real. A ferramenta, originalmente um experimento de aprendizado, ganhou escala e uso global.

O sistema consolida dados de mais de 100 streams diferentes para mapear conflitos. Habib afirma que o mapa mostra eventos conectados, não apenas notícias isoladas, e que ferramentas OSINT tradicionais são caras para governos e grandes empresas.

World Monitor nasceu de uma demanda por clareza frente a notícias conflitantes. Habib diz que não buscava um agregador de notícias, e sim uma plataforma que conectasse as informações de várias fontes em tempo real.

Como funciona o mapa

O mapa processa informações de diversas fontes, sem depender de redes sociais. O sistema ingere mais de 100 fluxos simultâneos e atualiza zonas de conflito com pontuações de escalada, posições de aeronaves por ADS-B, movimentos de navios por AIS, instalações nucleares, cabos submarinos, quedas de internet e detecções de fogo satelital.

A arquitetura usa princípios de processamento de grandes volumes de dados. Habib lembra que a experiência na Anghami ajudou a construir sistemas que suportam alto volume de informações, mantendo desempenho estável em escala.

A plataforma também utiliza uma hierarquia de fontes para validação: agências de notícias, ministérios e organizações internacionais aparecem no topo, seguidos por grandes emissoras. No total, cerca de 190 fontes são avaliadas para atribuir confiabilidade.

Verificação e alcance

O sistema emprega um algoritmo de convergência: se várias fontes confiáveis relatam o mesmo fato em minutos, o evento recebe destaque. Além disso, sinais físicos, como quedas de acesso à internet, desvio de voos militares e detecção de fogo por satélite, ajudam a confirmar ocorrências.

A ausência de editores humanos reduz o viés editorial, segundo Habib. Ele ressalta que o modelo pode ter lacunas em cenários novos sem precedentes históricos, mas descreve o mecanismo como um substituto para a validação humana.

Impacto e público

Antes de os ataques, o mapa era utilizado por traders e engenheiros para acompanhar cadeias de suprimentos e redes de infraestrutura. Com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã no fim de fevereiro, a plataforma passou a funcionar como monitor de ameaças em tempo real.

Entre fevereiro e 3 de março, o tráfego mostrou crescimento expressivo: mais de 2 milhões de visitantes únicos foram registrados até aquela manhã. Em um dia, o serviço chegou a 216 mil visitantes distintos.

O que vem a seguir

Habib afirma que World Monitor não nasceu com foco comercial. Desenvolvedores de várias partes do mundo passaram a contribuir com código e ideias. O objetivo atual é ampliar a compreensão de sinais globais e, eventualmente, detectar padrões antes que se tornem manchetes, expandindo o uso para além do rastreamento de conflitos.

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