- O governo iraniano decretou quase total blackout de internet, cortando o país do mundo e dificultando a comunicação durante crises.
- Jornalistas, ativistas e cidadãos recorrem a satélite, apps criptografados e vídeos contrabandeados para reportar de dentro do Irã.
- Leis de espionagem reformadas em 2025 ampliaram penalidades, incluindo pena de morte para quem for acusado de espionagem, especialmente para Israel ou os Estados Unidos.
- Imagens de satélite de operadoras comerciais ajudam a mapear destruição, mas não identificam pessoas nem confirmam números de vítimas; relatos e evidências externas corroboram as informações.
- Equipes fora da zona de blackout monitoram canais oficiais, fragmentos de vídeo são processados e enviados em partes para evitar detecção; uso de Starlink ocorre com cautela devido ao risco de localização pela inteligência iraniana.
A internet bloqueou quase por completo o acesso à rede no Irã após ataques que tiraram de funcionamento oficiais seniores do país. Jornalistas no interior recorrem a links via satélite, apps criptografados e vídeos contrabandeados para cobrir os acontecimentos.
No país, a conectividade caiu para níveis próximos de zero, segundo relatos de correspondentes no terreno. A medida é comum em crises, com o governo citando questões de segurança para justificar o corte.
Especialistas apontam que o objetivo é impedir a comunicação entre agentes de inteligência estrangeiros e contatos dentro do Irã, mas a restrição pesa principalmente sobre jornalistas e trabalhadores da mídia locais.
Diante do blackout, jornalistas, ativistas e cidadãos tentam alternativas para documentar o que ocorre, correndo riscos de prisão ou de silenciamento caso não encontrem meios de transmissão.
Em 2025, mudanças legais ampliaram as penas para espionagem, incluindo possível aplicação de pena de morte a suspeitos de espionar para Israel ou os Estados Unidos, além de confisco de bens.
Entre as estratégias adotadas, equipes utilizam aplicativos de mensagens criptografadas, ligações internacionais, SMS e vídeos captados por cidadãos, enviados de forma criptografada para fora do país.
Grupos de direitos humanos e organizações jornalísticas também recorreram a terminais Starlink em território iraniano para manter a transmissão de relatos, imagens e vídeos em tempo quase real.
Jornalistas fora do Irã verificam imagens de satélite de empresas privadas e de programas europeus para avaliar danos, sem confirmar números de vítimas apenas com esses recursos. A verificação costuma exigir confirmação adicional de testemunhos e evidências.
Numa operação de campo, equipes fora da zona de blackout acompanham canais oficiais e analisam o material quadro a quadro, buscando marcadores geográficos que permitam geolocalizar eventos e sincronizar com imagens de satélite.
Para preservar as informações, os materiais recebidos são armazenados em cópias originais e protegidos por hash criptográfico, assegurando que não houve alterações entre captação e publicação.
Os repórteres relatam que, com o bloqueio reduzido a cerca de 4% da conectividade normal, a redação precisou reduzir ao essencial o fluxo de informações para manter a cobertura. As equipes reconhecem o esforço diário como fundamental para a precisão das informações veiculadas.
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