- A ofensiva de Donald Trump contra o Irã deixou radicais russos mais alertas, levando alguns a pedir que Moscou abandone as negociações de paz com a Ucrânia e intensifique o conflito.
- Alguns hawks russos veem Trump como uma ameaça maior a Rússia, duvidando de sua fiabilidade e de futuras acordos.
- O Kremlin continua a tentar equilibrar manter Trump ativo na pauta da Ucrânia, ao mesmo tempo em criticá-lo quando necessário, sem apoiar abertamente ações contra o ex-presidente.
- Analistas russos sugerem que o Irã pode trazer réditos para a Rússia em termos de orçamento, com possíveis impactos no preço do petróleo e no caixa do estado.
- Há especulações de que a crise no Oriente Médio possa reduzir o envio de armamentos dos EUA à Ucrânia, além de desviar parte da atenção e do apoio americano.
MOSCOU, 3 de março — após o ataque de Donald Trump ao Irã, autoridades e analistas russos de linha dura passaram a ver o ex-presidente como uma ameaça ao próprio status da Rússia, influenciando a postura de Moscou em relação à Ucrânia. O avanço de Trump é visto como tentativa de realinhamento no xadrez estratégico.
Os hawks russos pedem que o Kremlin abandone negociações mediadas pelos EUA com a Ucrânia e intensifique o confronto, argumentando que as conversas com o Irã mostraram que Washington não é confiável para acordos duradouros. A pressão interna aumenta para mudar a estratégia de Minsk para uma abordagem mais rígida.
Konstantin Malofeyev, magnata próximo a um alto escalão do Kremlin, destacou que os EUA buscam enfraquecer tanto a Europa quanto a Rússia, o que, na leitura dele, justifica uma postura mais agressiva de Moscou. Rozhin, blogueiro de guerra com grande alcance, classificou Trump como ameaça que não merece confiar em negociações.
Andrei Sidorov, acadêmico ligado à televisão estatal, descreveu Trump como um líder perigoso e reconheceu que houve uma tentativa de assassinato em 2024. Sidorov afirmou que a Rússia está fortemente engajada na questão ucraniana, com os EUA atuando como mediador opaco.
O Kremlin mantém a linha de que busca equilíbrio diplomático: critica ações americanas sem atacar Trump diretamente e evita oferecer apoio prático a Teerã, além de manter o diálogo com as partes envolvidas nas negociações de paz. A posição sugere cautela para não romper totalmente a relação com Washington.
Analistas russos percebem que as limitações atuais incluem uma dependência de alto custo de equipamentos e fontes de energia, especialmente em um cenário de sanções e pressões orçamentárias. Alguns veem, no entanto, potenciais efeitos positivos, como maior disciplina fiscal se houver choques de preço de petróleo.
Kirill Dmitriev, enviado especial de Putin, sugeriu que elevações nos preços do petróleo podem ajudar o orçamento, enquanto descontos sobre o combustível russo para compradores como China e Índia podem sofrer reajustes. Em contrapartida, o recebimento de menos armamentos dos EUA pode impactar a Ucrânia a médio prazo.
Observadores apontam que a influência de Moscou na arena internacional depende do equilíbrio entre manter o diálogo com Trump e evitar confrontos diretos que possam desorganizar o foco russo na Ucrânia. A estratégia é manter contatos, ao mesmo tempo em que critica publicamente ações externas.
A discussão interna revela uma preocupação com a perda de aliados regionais, incluindo países que já enfrentaram pressões internacionais. Analistas destacam que a manutenção de relações estáveis com Washington continua sendo pauta central, mesmo diante de tensões recentes.
Mudanças na percepção de alianças
Hawks veem riscos de que mudanças na política externa norte-americana afetem a posição de Moscou em setores estratégicos. O debate envolve como preservar influência global sem expor a Rússia a novas rodadas de sanções ou pressões.
Consequências para a Ucrânia
Alguns especialistas apontam que o impacto direto sobre Kiev pode ocorrer pela redução de suprimentos de armamentos dos EUA ou por alterações de alocação de recursos norte-americanos no curto prazo. A dinâmica pode exigir reajustes de estratégias militares na região.
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