- O primeiro-ministro Ousmane Sonko disse que poderia tirar o seu partido do governo e voltar à oposição se o presidente Bassirou Diomaye Faye divergir da visão do partido, em meio a rumores de disputa de poder.
- Tensão no país cresce após violência universitária e negociações com o Fundo Monetário Internacional para um novo programa; o FMI congelou em 2024 um programa de $1,8 bilhão, related a dívidas mal reportadas estimadas em mais de $11 bilhões.
- Sonko afirmou, em transmissão ao vivo, que haveria um “compartilhamento de poder suave” se o presidente estiver alinhado com o partido; caso contrário, haveria convivência mais difícil ou o Pastef voltaria à oposição.
- Pastef, liderado por Sonko, tem maioria no parlamento, o que complicaria uma ruptura política caso haja divergência clara entre as partes.
- A relação entre Sonko e Faye tem mostrado sinais de dissensão desde 2024, com declarações conflitantes em novembro sobre a liderança da coalizão e com rejeição a uma proposta de reestruturação da dívida do FMI em 2025, que impactou títulos do país.
O primeiro-ministro do Senegal, Ousmane Sonko, afirmou que está disposto a tirar seu partido do governo e retornar à oposição caso o presidente Bassirou Diomaye Faye se afaste da visão de Pastef. A declaração foi feita em transmissão ao vivo neste fim de semana, em meio a rumores de uma disputa de poder entre ambos. O governo atua em um contexto de tensões com a imprensa e a sociedade civil.
A tensão se agrava num cenário de negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e de debates sobre um possível novo programa de crédito. O FMI congelou um acordo de 1,8 bilhão de dólares em 2024, após Sonko apontar dívidas mal reportadas pela gestão anterior, estimadas em mais de 11 bilhões de dólares.
Cenário político
Sonko explicou que, se o presidente estiver alinhado com o seu partido, a relação entre as duas lideranças pode seguir estável, mesmo com divergências internas. Caso haja rupturas mais claras, poderá haver uma coabitação mais complexa ou o Pastef, partido que ele comanda e detém maioria no parlamento, retornar à oposição.
O líder do Pastef lembrou que a relação entre as duas figuras já apresentou sinais de dissensão desde o fim de 2024, quando seus respectivos campos mostraram declarações conflitantes sobre a condução da coalizão governista. Naquele ano, Sonko informou que o FMI propôs reestruturação da dívida, o que, segundo ele, o país não aceitaria, causando queda acentuada dos títulos da dívida externa.
Contexto econômico e futuro
As declarações alimentam a possibilidade de atrasos adicionais nas negociações com o FMI, já que qualquer sinal de discórdia pode impactar a credibilidade do país nas conversas sobre dívida e políticas fiscais. As autoridades não divulgaram novas datas para avanços no programa de empréstimo nem detalhes sobre as condições para um novo acordo.
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