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Corte de internet é ferramenta do regime para isolar iranianos

Especialistas veem o apagão de internet como estratégia do regime para isolar o Irã e manter o controle, não apenas falha técnica

A woman in Tehran shows her smartphone during a nationwide internet shutdown instigated by the Iranian government in response to protests in January.
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  • Quase quatro horas após os primeiros ataques, o Irã voltou a ficar com internet totalmente fora do ar, limitando a saída de informações e a comunicação entre as pessoas.
  • Parte do apagão pode ter ocorrido por danos na infraestrutura, como um possível corte em uma fibra óptica, mas a maior parte é visto como uma medida deliberada do governo.
  • Pesquisadores de Project Ainita e Outline Foundation dizem que o objetivo é manter o controle e, possivelmente, atrasar a queda do regime.
  • O apagão atual está quase tão completo quanto o ocorrido em janeiro, com celulares funcionando no país, mas sem acesso à rede externa sem meios alternativos.
  • O isolamento aumenta a confusão interna: pode afastar as pessoas das ruas pela falta de informações ou levá-las a se reunirem por não saberem onde é seguro.

A Iran já viveu novo apagão digital após o início dos ataques, com a internet totalmente fora do ar no país. O blackout ocorreu no domingo, em meio a protestos e tensões políticas, e tem como alvo principal limitar a comunicação e a circulação de informações.

Quase quatro horas depois do primeiro impacto, a conectividade caiu novamente em todo o território. Pequenos cortes ocorreram em várias redes, possivelmente por falhas técnicas como corte de fibra ou falta de energia, segundo analistas.

Especialistas associam o novo apagão a uma estratégia deliberada do governo para manter o controle. Pesquisadores das organizações Project Ainita e Outline Foundation afirmam que o regime busca sobreviver e frear a mobilização, mantendo as informações sob rigidez.

Contexto histórico e impactos

O país já havia desligado a uso pleno da internet em 8 de janeiro, semanas de escalada de protestos contra a política econômica e os preços da moeda. O bloqueio integral durou quase três semanas, com restrições parcialmente relaxadas apenas em 28 de janeiro. Registros apontam que a repressão pode ter causado milhares de mortes.

Segundo os pesquisadores, o blackout atual é quase tão centralizador quanto o de janeiro. Embora celulares funcionem, a conexão com o exterior está suspensa, limitando o acesso a recursos como redes alternativas de comunicação.

Os analistas destacam que a interrupção aumenta a confusão entre os iranianos. Por um lado, pode manter as pessoas em casa; por outro, pode levar a aglomerações por falta de informações confiáveis sobre locais seguros.

A história de controle da informação no país remete a ações anteriores, como o jamming de sinais de televisão e rádio estrangeiros. O objetivo, segundo os especialistas, é impedir que a população tenha acesso a conteúdos independentes.

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