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Conflito EUA e Irã eleva temores de choque global no petróleo

Preço do petróleo dispara com interrupção no Estreito de Ormuz após ataques entre EUA, Irã e aliados; mercado teme impacto global

Mapa mostra o Estreito de Ormuz
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  • Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra o Irã, após ataques retaliatórios, e o Irã respondeu com mísseis contra Israel e bases americanas na região.
  • O preço do petróleo subiu significativamente na segunda-feira, com o Brent chegando a US$ 82,37 o barril e o WTI atingindo US$ 75,33, altas superiores a 12%/13% no pregão.
  • O temor de interrupção no Estreito de Ormuz, rota de saída do Golfo Pérsico, elevou a preocupação com o abastecimento global.
  • A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP+) concordou em aumentar a produção em 206 mil barris por dia, acima de 137 mil previstos, para mitigar impactos, mas possa não ser suficiente.
  • Analistas alertam que a incerteza pode elevar o risco de inflação global e influenciar decisões de política monetária, incluindo cortes de juros nos EUA, caso persista o choque no fluxo de petróleo.

O preço do petróleo subiu substancialmente após ações militares entre EUA, Israel e Irã, com ataques retaliatórios que interromperam o transporte marítimo no Estreito de Ormuz. A escalada ocorreu entre o fim de semana e a segunda-feira, em meio a tensões no Golfo Pérsico.

O saldo do conflito envolveu ataques dos EUA e de Israel contra alvos no Irã, na madrugada de sábado. O Irã, por sua vez, respondeu com ataques de mísseis contra bases apoiadas por EUA e aliados na região. Não houve confirmação de danos humanos em larga escala até o momento.

Na manhã desta segunda-feira, o preço do petróleo registrou alta de até 13% em algumas cotações, impulsionado pela interrupção do trânsito de crude no Estreito de Ormuz, rota crítica de exportação para a região. O estreito é a única passagem para boa parte do petróleo exportado pelo Golfo Pérsico.

Estreito de Ormuz e dependência regional

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, passando entre Irã e território dos Emirados Árabes Unidos. O tráfego é dividido em dois corredores, com pouca margem de manobra para navios, o que aumenta a vulnerabilidade a interrupções.

Para grandes produtores, como Iraque, Kuwait e Catar, as exportações marítimas dependem quase integralmente de Ormuz. A Arábia Saudita e os Emirados possuem alguns oleodutos, mas ainda assim respondem por apenas parte do fluxo global.

Reação dos mercados e perspectivas

A OPEP+ decidiu aumentar a produção em 206 mil barris por dia, acima do previsto, para mitigar choques de oferta. Ainda assim, economistas avaliam que o ajuste pode não conter totalmente o impacto sobre os preços, especialmente em cenários de continuidade da crise.

Segundo Andressa Durão, economista do ASA, um bloqueio breve tende a ter efeito limitado, com antecipação de embarques e uso de estoques. Se a interrupção se prolongar, a disponibilidade global pode sofrer restrições. A China aparece entre os maiores importadores vulneráveis.

Adam Hetts, da Janus Henderson Investors, aponta que a incerteza reduz o apetite por ativos de risco. Títulos soberanos de mercados desenvolvidos e moedas consideradas refúgio podem se tornar mais atraentes em cenário de maior aversão ao risco.

Impacto potencial e contexto histórico

O preço do Brent chegou a US$ 82,37 o barril, com alta de cerca de 13%, e o WTI atingiu US$ 75,33, alta superior a 12%. Mesmo com a volatilidade, o valor no retorno às negociações ficou aquém de algumas projeções de analistas.

Historicamente, tensões no Oriente Médio elevam o risco de volatilidade nos mercados de energia. Em 2024, a região já havia sido foco de atenções similares, com impactos potenciais sobre oferta global de petróleo e gás natural liquefeito.

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