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Tarifas de Trump mudam foco para balanço de pagamentos; economistas não veem crise

Novas tarifas de Trump concentram-se no saldo de pagamentos; economistas afirmam que não há crise, mas alertam sobre possíveis litígios

U.S. President Donald Trump holds a chart next to U.S. Secretary of Commerce Howard Lutnick as Trump delivers remarks on tariffs in the Rose Garden at the White House in Washington, D.C., U.S., April 2, 2025. REUTERS/Carlos Barria//File Photo/File Photo
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  • Tarifa temporária de 15% foi anunciada por Donald Trump para substituir tarifas derrubadas pelo Supremo, sob a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, com vigência de até cento e cinquenta dias.
  • A medida busca resolver o que o governo diz ser um déficit de pagamentos, apresentado como problema grave, apesar de muitos economistas discordarem da existência de crise de balanço de pagamentos.
  • As primeiras cobranças começaram à meia-noite de terça-feira, substituindo cobranças anteriores de 10% a 50%.
  • Economistas ouvidos divergem: alguns dizem que não há crise de balanço de pagamentos; outros observam que o déficit da conta corrente e a posição internacional são fatores a considerar, mas não equivalem à crise apontada.
  • O Departamento de Justiça já argumentou anteriormente que a Seção 122 é o mecanismo errado para um déficit comercial, o que pode tornar as novas tarifas passíveis de contestação jurídica.

O governo dos Estados Unidos anunciou tarifas temporárias de 15% sobre importações, para substituir medidas derrubadas pela Suprema Corte. A medida foi divulgada após a decisão judicial e usa a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O objetivo declarado é enfrentar déficits externos considerados graves pelo governo, ainda que economistas diverjam sobre a existência de uma crise de balanço de pagamentos.

As novas tarifas entraram em vigor à meia-noite de terça-feira, substituindo as tarifas anteriores entre 10% e 50%. O governo justifica a ação como resposta a déficits de comércio de bens estimados em 1,2 trilhão de dólares por ano e a um déficit na conta corrente próximo de 4% do PIB. A administração sustenta que o problema é de fôlego internacional, não apenas de comércio.

Economistas divergem sobre a crise

Alguns especialistas contestam a caracterização de crise no balanço de pagamentos. Eles destacam que déficits de conta corrente não equivalem necessariamente a restrições severas de acesso a mercados financeiros. Outros lembram que o dólar flutua pouco e que o custo de financiamento externo não apresentou sinais de catástrofe recente.

Analistas do setor público e think tanks discutem se o déficit atual é suficientemente intenso para justificar medidas via Seção 122. Há quem veja semelhanças com momentos históricos, enquanto outros ressaltam diferenças estruturais em relação a déficits anteriores.

Questão legal e uso da Seção 122

A Justiça havia apontado que a Seção 122 talvez não fosse o instrumento adequado para enfrentar déficits comerciais. Com a nova orientação, o governo sustenta que o objetivo é tratar desequilíbrios amplos de pagamentos internacionais. A defesa já sinalizou que a estratégia pode enfrentar questionamentos jurídicos, inclusive em tribunais superiores.

Especialistas ouvidos pela Reuters destacam que o uso da Seção 122 pode enfrentar contestações legais, dado o parecer anterior do Departamento de Justiça. A defesa de delegados de pequenas empresas acompanha de perto possíveis ações judiciais e a eventual necessidade de reembolso de tarifas cobradas indevidamente.

Próximos passos

Autoridades administrativas não divulgaram comentários adicionais sobre o andamento da implementação ou sobre compensações a ministradas empresas. As autoridades continuam avaliando a viabilidade de manter as tarifas por até 150 dias, conforme a lei, e estudando potenciais revisões legais.

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