- A Conferência de Segurança de Munique, edição de 2026, aponta o enterro irreversível do ordenamento mundial vigente desde o fim da Guerra Fria.
- O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que o ordenamento internacional baseado em direitos e normas está morto, citando o lema Under Destruction.
- O presidente Joe Biden/secretário de Estado dos EUA (referência de Rubio) sinalizou que o “velho mundo” se foi, destacando a necessidade de reavaliar papéis ante uma nova era geopolítica.
- Merz destacou uma brecha entre Europa e Estados Unidos, o revisionismo da Rússia e a ambição global da China de reorganizar o sistema conforme seus interesses.
- Observadores sauditas e analistas divergem sobre o que vem a seguir: aumento de perigos, mudanças nas instituições e possíveis readequações da ONU e da OTAN, com a transição ainda incerta.
A Conferência de Segurança de Múnich, realizada em 2026, destacou a transição preocupante de um sistema mundial pós-Guerra Fria para um novo cenário de riscos e rupturas. O evento, que ocorre na cidade alemã, reuniu líderes, diplomatas e analistas para avaliar as mudanças no equilíbrio global e suas consequências.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que o sistema de direitos e normas que prevalecia está desaparecendo, descrevendo o lema Under Destruction como indicativo de um mundo em reorganização. Segundo ele, o ordenamento internacional não está apenas em dificuldade, mas já morto em sua forma anterior.
O secretário de Estado dos EUA, na saída para Múnich, sinalizou a necessidade de reexaminar o papel dos aliados. Em declarações, indicou que o mundo mudou e que antigos moldes não atendem mais aos interesses norte-americanos, apontando uma nova era geopolítica.
Merz detalhou as mudanças observadas, destacando a distância entre Europa e EUA, o revisionismo russo e a ambição de liderança da China. O chanceler lembrou ainda que a dependência de outros países vem sendo reinterpretada pelos interesses de potências emergentes.
A fala do representante de Arábia Saudita ocorreu no mesmo contexto, ressaltando que o sonho de um sistema multilateral baseado em regras foi limitado e beneficiou apenas parte da população global. A visão saudita enfatizou riscos crescentes com a degradação do sistema vigente.
Rubio, como líder do Departamento de Estado, já havia indicado durante a confirmação que oarranjo anterior não atende aos interesses dos EUA. O embaixador dos EUA junto à OTAN, Michael Waltz, enfatizou em um painel a intenção de reduzir custos de envolvimento no sistema internacional, ao mesmo tempo em que a OTAN poderia se fortalecer.
Durante as discussões, surgiram divergências entre a UE e os EUA sobre iniciativas internacionais. A alta representante da UE, Kaja Kallas, destacou que mandatos do Conselho de Segurança nem sempre correspondem a ações amplas, exigindo clareza sobre objetivos como a Junta de Paz.
Ivo Daalder, ex-embaixador dos EUA na OTAN, comentou que a Europa está passando por fases de adaptação política. Segundo ele, a relação transatlântica já não pode retornar ao modelo anterior, e será preciso desenvolver meios econômicos, políticos e militares para defender interesses nacionais, com incerteza sobre o desfecho.
O relatório oficial da conferência indica que a Administração Trump atacou aspectos do chamado triângulo Kantiano da paz, que guiou a estratégia bipartidária de posguerra. O triângulo envolve instituições internacionais, ordem aberta e democracia como pilares de segurança.
Ian Bremmer, presidente da Eurasia Group, apontou três caminhos diante da quebra do sistema: reformar instituições existentes, criar novas, ou recorrer a ações mais agressivas. Ele destacou que as tendências combinam elementos de todas as opções, fortalecidas por sinais de mudanças estruturais.
O panorama aponta que a transição até consolidar um novo modelo poderá tornar o cenário internacional mais volátil. A autoridade saudita reiterou que o mundo pode enfrentar riscos maiores até que haja um novo equilíbrio entre potências e regras globais.
Entre na conversa da comunidade