- Friedrich Merz busca manter Trump alinhado aos interesses alemães, ao mesmo tempo fortalecendo a defesa europeia e a autonomia estratégica do continente.
- O chanceler defende um aumento do gasto militar alemão para 5% do PIB e aquisição de equipamentos dos Estados Unidos, como F-35 e mísseis Tomahawk.
- Merz tem viajado pela Europa (França e Reino Unido) para obter garantias nucleares de aliados e discutir a possibilidade de um escudo nuclear europeu, mantendo relações com os EUA.
- O governo ampliou investimentos em áreas como espaço (R$ 35 bilhões) para reduzir a dependência de satélites dos Estados Unidos e buscar diversificação de suprimentos energéticos.
- Em linha econômica, ele pressiona acordos de livre comércio com Mercosul e Índia para compensar tarifas de Washington e incentivar a competitividade da União Europeia, enquanto busca consolidar uma Europa mais independente dos EUA.
Friedrich Merz tem uma estratégia própria para lidar com o presidente norte-americano, buscando manter o relacionamento com os EUA sem deixar de fortalecer a defesa europeia. Desde tomar posse como chanceler, ele sinalizou que a era da Pax Americana acabou, mas tenta manter Trump “ainda do lado” para ganhar tempo.
Merz tem adotado um meio-termo: aproximar-se de Trump com acordos comerciais e, ao mesmo tempo, acelerar o redesenho das forças armadas alemãs e da cooperação entre aliados europeus. O objetivo é apresentar a Alemanha como líder de uma Europa capaz de se defender, ainda que de forma gradual.
Estratégias e tensões
No discurso da Munique Security Conference, Merz manteve postura moderada, evitando confrontos diretos com Trump. Em janeiro, afirmou ao parlamento que democracias são parceiras, não subordinadas, em meio a críticas ao tom dos rumores sobre tarifas.
Entre as ações, ele pressionou para evitar que acordos sejam desbancados por anúncios diários de tarifas, especialmente após a Alemanha apoiar a Groenlândia. O setor privado alemão tem pressionado o governo a consolidar uma linha firme contra violações ao tratado com a UE.
Segurança europeia e capacidades
Merz tem favorecido uma segunda ß Zeitenwende, com foco em segurança europeia e autonomia estratégica. Visitas a França e ao Reino Unido buscariam garantias de apoio nuclear, já que a Alemanha não possui arsenal atômico próprio. As negociações teriam incluído discussões sobre defesa nuclear europeia sem romper o compartilhamento com os EUA.
Além disso, o governo planeja elevar o gasto militar para 5% do PIB e adquirir equipamento dos EUA, como caças F-35 e mísseis Tomahawk. O pacote de defesa prevê 650 bilhões de euros para cinco anos, o maior entre os aliados europeus.
Finanças, indústria e alianças
A reforma do teto da dívida e o estímulo à indústria de defesa aparecem como pilares da estratégia. A ideia é ampliar o orçamento de 35 bilhões de euros para reforçar capacidades de vigilância espacial, reduzindo a dependência de satélites norte-americanos.
Na prática, Merz também busca diversificar parcerias comerciais da UE, defendendo acordos com Mercosul e Índia para compensar possíveis perdas com tarifas dos EUA. Em 12 de fevereiro, na Bélgica, ele procurou alinhar reformas para tornar a UE mais competitiva.
Relações e desafios internos
Mercados de opinião na Alemanha destacam o desafio interno: o ceticismo da população em relação ao serviço militar e guerras pode dificultar a transformação da Bundeswehr na “mais forte da Europa”. A complexidade das linhas entre soberania nacional e cooperação atlântica também pede equilíbrio.
Entre os aliados, surgem diferenças com a França sobre compras públicas, macroeconomia e modelos de financiamento europeu. Enquanto Paris defende preferências europeias, Berlim mantém reservas quanto a Eurobonds e à integração de mercados.
Perspectivas
Experts veem Merz buscando manter Trump abordável, enquanto fortalece coalizões europeias para reduzir a dependência dos EUA. Caso o caminho de maior autonomia amadureça, a Alemanha poderá liderar uma Europa mais autossuficiente em defesa nos próximos anos.
Entretanto, o objetivo de guerra pronta até 2029 depende de fatores internos e externos, como aceitação pública alemã de investimentos em defesa e a evolução das relações transatlânticas.
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