- o Reino Unido ameaça apreender um navio-tanque ligado à frota sombra russa, em movimento escalatório que pode abrir novo front contra Moscou.
- fontes de defesa britânicas disseram que opções militares para capturar um navio sem estado foram identificadas com aliados da Otan; o episódio ocorre meses após a interceptação de um petroleiro russo no Atlântico.
- em janeiro, de acordo com a Lloyd’s List Intelligence, foram detectados 23 navios da frota sombra com bandeiras falsas ou fraudulentas, vinculados principalmente à exportação de petróleo russo.
- na semana passada, França prendeu temporariamente o navio Grinch no Mediterrâneo, mas decidiu liberá-lo sob legislação nacional; o Reino Unido afirmou que pode sediar reunião de países bálticos e nórdicos para discutir opções militares.
- analistas destacam que, embora a extração de petróleo da Rússia ainda supere 5 milhões de barris por dia por via marítima, a receita do petróleo tem caído ante sanções ocidentais e quedas de preços.
O Reino Unido avalia a possibilidade de apreender um navio de uma frota sombra ligada à Rússia, em uma escalada que pode abrir uma frente adicional contra Moscou. Fontes de defesa britânicas confirmaram opções militares para capturar o navio em discussões com aliados da OTAN.
A ofensiva ocorre em meio a recentes ações no Atlântico, após a apreensão, liderada pelos EUA, de um tanker russo no mês anterior. Em janeiro, foram identificados 23 navios da frota sombra operando com bandeiras falsas ou fraudulentas no Canal ou no Mar Báltico, segundo a Lloyd’s List Intelligence. Muitos estão vinculados à exportação de petróleo russo.
Um comunicado conjunto, assinado por Reino Unido, Alemanha, França e outros países da OTAN que cercam o Báltico e o Mar do Norte, orienta que embarcações nessas regiões cumpram plenamente o direito internacional. Contudo, não houve desdobramento prático desde então.
Dinâmica da frota sombra
O editor-chefe da Lloyd’s List, Richard Meade, afirma que a Marinha Real poderia desafiar vários navios com base no direito marítimo, pois muitos são efetivamente apátridas. Ele aponta que houve hesitação por riscos de escalada.
Na esfera britânica, a Marinha Real realizou uma sessão informativa para parlamentares sobre a ameaça russa e as operações no Ártico. Um participante disse que as tropas estavam ansiosas para receber autorização de captura de um navio.
No mês passado, os Estados Unidos perseguiram o tanker Marinera entre o Caribe e o Atlântico Norte, com auxílio do Reino Unido. O navio foi interceptado entre a Escócia e a Islândia; apresentava bandeira falsa, mas foi rebatizado com registro russo durante a perseguição.
França deteve, no Mediterrâneo em 22 de janeiro, o Grinch, um tanker suspeito, que saiu de Murmansk sob bandeira de Comores. A detenção foi interrompida pouco depois, com a liberação considerada necessária pela lei francesa.
Reação internacional e impactos
O ministro da Defesa britânico indicou, no fim de janeiro, que o Reino Unido sediaria uma reunião entre países bálticos e nórdicos para discutir opções militares. Uma possível apreensão de petróleo poderia financiar a Ucrânia no conflito com a Rússia.
Especialistas estimam que a produção de petróleo da Rússia fica na casa dos 10 milhões de barris por dia, com grande parte destinada a exportação marítima. A resposta ocidental a sanções tem incluído o uso de uma frota sombra para contornar bloqueios.
Adata mostra que mais de 200 navios ligados à Rússia ainda operam na frota sombra. Enquanto a frota principal permanece em crescimento, o valor do barril russo tem oscilado, influenciado pela queda dos preços globais e por pressões de bloqueio.
Fontes de pesquisa indicam quedas nas receitas com petróleo e gás para o Kremlin, situando-se em torno de perdas anuais significativas, com impactos no orçamento estatal. Analistas observam que a União Europeia avalia ampliar sanções, inclusive restringindo serviços marítimos.
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