- Jornalistas iranianos exilados para a BBC dizem que o regime monitora seus movimentos e que familiares no Irã são interrogados e pressionados para interromper a cobertura.
- Familiares teriam sido ameaçados com prisão e apreensão de bens caso a reportagem continue sobre os protestos no país.
- Alguns profissionais já foram obrigados a deixar o emprego por pressão financeira sobre os parentes; outros adotam medidas de segurança adicionais.
- As ameaças teriam vindo mesmo com os jornalistas no exterior (Reino Unido), com relatos de familiares being pressionados e de possíveis ações envolvendo terceiros.
- O contexto inclui o corte de internet no Irã a partir de oito de janeiro, seguido de repressão aos protestos, o que aumenta a vulnerabilidade dos jornalistas.
O conteúdo é uma denúncia de jornalistas iranianos exilados que trabalham para a BBC Persian. Eles afirmam que as autoridades iranianas monitoram de perto seus movimentos e pressionam suas famílias para silenciar coberturas sobre os protestos no país. A retratada pressão inclui ameaças de prisão e apreensão de bens.
Segundo relatos, parentes no Irã teriam sido alertados de que as forças de segurança sabem onde os jornalistas moram, onde trabalham e até o posto de cada redação. A pressão ocorre mesmo com os jornalistas atuando fora do território nacional.
A BBC Persian tem uma audiência estimada em 30 milhões de pessoas por semana. A organização disse que a pressão persiste desde os episódios de violência durante os protestos que já deixaram dezenas de milhares de mortos, ampliando o temor entre os profissionais.
Além das ameaças contra familiares, alguns jornalistas relatam medidas de segurança adicionais após receberem ameaças de morte ou de sequestro. Outros já deixaram a BBC por dificuldades financeiras enfrentadas por seus entes queridos.
Behrang Tajdin, correspondente econômico da BBC Persian, relatou que sua mãe foi detida e questionada sobre o trabalho dele. Tajdin disse ter ficado três semanas sem notícias durante o apagão de internet imposto pelo governo.
Ele afirmou que as ameaças podem vir de indivíduos fora do Irã, com capacidade de influenciar o que eles dizem. Segundo o jornalista, desde 2022 o regime tem recorrido a terceiros para tentar prejudicar jornalistas e ativistas que atuam no exterior.
Tajdin também citou relatos de colegas com familiares ameaçados de ter licenças comerciais canceladas ou forçados à aposentadoria antecipada. Um outro jornalista, que pediu para permanecer anônimo, disse que ligar para a família após os protestos tornou-se arriscado.
Segundo ele, muitos colegas tiveram ativos de familiares congelados e alguns precisaram deixar a emissora por pressão financeira. O relato aponta que a estratégia busca pressionar os jornalistas a abandonar a profissão.
A situação ganhou ainda mais repercussão após o corte de internet na RN iraniana, iniciado em 8 de janeiro, durante quase duas semanas de protestos anti-governo. Autoridades teriam flexibilizado as restrições desde então, mas sem removê-las totalmente.
Contexto internacional
Tajdin descreveu que colegas frequentemente relatam10 momentos de sofrimento, como perdas familiares, impossibilidade de comparecer a funerais ou de acompanhar doenças graves. Ele enfatizou que o impacto recai sobre as famílias no Irã, ainda que os jornalistas permaneçam no exterior.
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