- Desde 2017, o presidente Donald Trump visitou o Alasca apenas cinco vezes, com a última viagem em 2022, enquanto não para de atuar fora da região; em 2025 ele fez 21 visitas à Flórida.
- Em 2025, Trump recebeu o presidente russo Vladimir Putin em uma base militar no Alasca, destacando a importância estratégica da região para questões de segurança e recursos, perto da Rússia.
- Historicamente, os EUA mantêm uma relação ambígua com o Ártico, com Barack Obama sendo o único presidente a pisar acima do Círculo Polar Ártico em 2015; o tema tem sido debatido como parte da identidade nacional.
- O Conselho do Ártico, criado em 1996, consolidou cooperação ambiental e científica e manteve o Ártico como zona de cooperação pacífica, ainda que as tensões com a Rússia tenham suspendido atividades em 2022.
- O livro Reluctant Conquest analisa a trajetória dos EUA no Ártico e hoje destaca o foco de Washington em Groenlândia e segurança nacional, sinalizando possível recuo de liberalismo internacional e maior ênfase em defesa e recursos.
Desde a posse de 2017, os EUA mostraram pouca atenção ao Ártico, destacado pela escassez de visitas de alto nível a Alaska e pela priorização de outras pautas. O texto analisa como essa distância histórica moldou a relação dos Estados Unidos com a região.
A obra Reluctant Conquest, de Kathryn C. Lavelle, investiga por que a região polar não é parte central da identidade nacional americana. O livro ressalta que o Ártico tem sido um espaço de cooperação científica, sem negligenciar questões de segurança e de recursos.
Nos últimos anos, o Ártico ganhou peso estratégico, com mudanças rápidas no clima, infraestrutura e governança. Em 2026, a administração de Trump intensificou o foco em Greenland, visto como peça-chave para a influência norte-americana no Norte global.
O texto mostra que a Arctic Council, criado para promover cooperação ambiental, vivenciou tensões com a suspensão de atividades após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Finlandia e Suécia ingressaram na aliança, elevando as complexidades geopolíticas.
Ainda assim, a obra destaca que o ambiente científico manteve seu papel constante, com agências como NOAA e NSF contribuindo para pesquisas no Ártico. A mudança climática acelera o degelo e redesenha fronteiras geopolíticas da região.
Segundo Lavelle, o interesse recente dos EUA envolve uma possível retomada de liderança no círculo ártico, incluindo discussões sobre Greenland. O tema volta a colocar o Ártico no centro de questões de segurança, economia e energia.
A autora também analisa o histórico de negociações entre EUA, Rússia e países nórdicos, evidenciando como o Ártico alterna entre ponte de cooperação e ponto de atrito. A obra traça a evolução do papel americano nessa arena.
A publicação situa ainda o avanço de políticas que priorizam segurança e recursos, com riscos de reduzir o foco em clima e ciência ambiental. O debate envolve, entre outros, o papel de Danimarca e a relação com a Groenlândia.
Reluctant Conquest é destacada como leitura-chave para entender a atual febre diplomática em torno do Ártico e as possíveis consequências para o status dos EUA como nação ártica. A obra contextualiza décadas de atuação norte-americana na região.
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