- Em início de 2024, funcionários da USAID redigiram um cabo alertando que Gaza norte virou um “apocalyptic wasteland” com severa escassez de alimento e água.
- O relatório descrevia cenas de violação de necessidades humanas básicas, com ossos na via pública e corpos deixados em veículos.
- O embaixador dos EUA em Jerusalém, Jack Lew, e a sua assessora, Stephanie Hallett, bloquearam a divulgação ampla do cabo por entenderem que faltava equilíbrio.
- Lew e Hallett supervisionaram a linguagem e a distribuição de cabos sobre Gaza; outros relatos semelhantes também teriam sido suprimidos por questões de equilíbrio.
- A Reuters revela que esses cabos não chegaram aos escalões superiores do governo, mesmo diante do agravamento da crise humanitária na região.
A Reuters revelou que funcionários da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) redigiram, em fevereiro de 2024, um aviso a autoridades sêniores da administração de Joe Biden descrevendo Northern Gaza como um “Apocalyptic Wasteland”, com graves shortages de comida e ajuda médica. O relatório mencionava ossos nas estradas, corpos abandonados em veículos e necessidades humanitárias catastróficas.
O cabo foi elaborado para detalhar a deterioração rápida das condições de saúde, alimentação e saneamento em Gaza, consequência direta da campanha militar de Israel. O documento foi bloqueado para distribuição mais ampla nos EUA pela embaixadora em Jerusalém, Jack Lew, e pela sua adjunta, Stephanie Hallett, que argumentaram buscar mais equilíbrio.
Hallett e Lew não responderam aos pedidos de comentário. Três ex-funcionários disseram que o texto era extremamente gráfico e poderia atrair a atenção de autoridades, aumentando o escrutínio sobre uma ordem executiva de 2024 ligada a escolhas de apoio à região. Além disso, a redação sob USAID dependia de fontes da ONU e de organizações humanitárias.
Contexto e bloqueio institucional
O cabo de fevereiro de 2024 foi um entre cinco conteúdos que descreviam o agravamento da crise humanitária em Gaza, conforme relatos de ex-funcionários entrevistados pela Reuters. Um deles chegou a ser distribuído, em parte, pela embaixada dos EUA em Jerusalém, mas a distribuição ampla foi contida.
Usuários oficiais afirmaram que houve ceticismo sobre a verificação das informações, já que grande parte do material vinha de fontes da ONU e de organizações internacionais financiadas pelos EUA. Outros informaram que, mesmo com verificação, mensagens mais fortes poderiam ter atrasado negociações nessas semanas.
O conflito em Gaza começou após ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023. Dados da Beirute e da Saúde palestina indicavam mais de 71 mil mortes em Gaza, com incertezas sobre o curso da violência e as respostas humanitárias. O governo dos EUA manteve apoio a Israel, gerando divisão interna entre democratas.
Reações e consequências
Funcionários citaram que autoridades da Casa Branca estavam cientes da piora humanitária e que a presença de especialistas em assistência humanitária foi reduzida. A gestão de informações da USAID enfrentou escrutínio por parte de assessores próximos a Biden, que pediam confirmação de dados.
O material não chegou aos escalões mais altos do governo americano, segundo fontes anônimas. Não houve resposta de representantes de Blinken sobre a circulação dos cabos. O tema continua sob avaliação de autoridades envolvidas na política externa dos EUA.
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