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Governo militar de Burkina Faso dissolve partidos políticos

Decreto dissolve todos os partidos e revoga o marco regulatório; ativos dos partidos passam ao Estado, enquanto o país enfrenta insurgência e crise política

Heads of state of Mali's Assimi Goita, Burkina Faso's Captain Ibrahim Traore and Niger's General Abdourahamane Tiani walk together during the first ordinary summit of heads of state and governments of the Alliance of Sahel States (AES) in Niamey, Niger July 6, 2024. REUTERS/Mahamadou Hamidou
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  • O governo militar do Burkina Faso dissolveu todos os partidos políticos e revogou o arcabouço legal que os regia, conforme decreto aprovado pelo conselho de ministros.
  • A medida faz parte de um esforço de “reconstruir o estado” após abusos e disfunções identificados no sistema multipartidário.
  • Uma revisão aponta que a multiplicidade de partidos fomentou divisões e fragilizou a coesão social.
  • Antes do golpe, havia mais de cem partidos registrados, com quinze representados no parlamento após as eleições de 2020, e o país enfrenta ataques de insurgências ligadas a grupos extremistas.
  • Os ativos dos partidos dissolvidos serão transferidos ao Estado; haverá envio de uma lei para revogar estatutos e financiamento partidário, além do status do líder da oposição, ao conselho de transição.

A Burkina Faso teve todas as legenda de partidos dissolvidas pelo governo de transição, em decreto aprovado pelo conselho de ministros na quinta-feira. A medida encerra o arcabouço legal que regula a atuação de partidos no país.

O governo militar, que chegou ao poder em setembro de 2022, intensificou o controle após suspender atividades partidárias. Segundo o Ministério do Interior, a decisão faz parte de um esforço para “reconstruir o Estado”.

Emile Zerbo afirmou que a revisão revelou que a multiplicidade de legendas alimentou divisões e enfraqueceu a coesão social. A intenção é simplificar o panorama político do país.

Antes do golpe, Burkina Faso tinha mais de 100 partidos registrados, com apenas 15 representados no parlamento após as eleições de 2020. A dissolução abrange todas as formações políticas.

O decreto prevê que os ativos dos partidos dissolvidos passem ao patrimônio do Estado. A norma também cita a elaboração de uma lei para revogar estatutos, regular o financiamento de partidos e definir o status do líder da oposição.

Burkina Faso, vizinha de Mali e Níger, enfrenta ataques de insurgências jihadistas que já causaram milhares de mortes e milhões de deslocados nas últimas duas décadas.

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