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Rússia continua importando pneus de aviação Michelin apesar de sanções

Dados apontam que pneus Michelin para aviação chegaram à Rússia entre outubro de 2024 e março de 2025 via intermediários, mesmo com sanções, e reforço de controles

An employee working on a car tyre at the Michelin tyre company's factory in Clermont-Ferrand, France
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  • Mesmo com sanções, registros aduaneiros indicam que pneus de aviação da Michelin continuam a chegar à Rússia por intermediários, incluindo uma empresa aparentemente com base no Reino Unido.
  • Entre outubro de 2024 e março de 2025, a Rússia recebeu 2.687 pneus Michelin, avaliados em mais de US$ 7 milhões.
  • As remessas teriam sido viabilizadas por intermediários em diversos países, com entradas de empresas na Turquia, Espanha, Arábia Saudita, Índia e um interlocutor britânico não registrado.
  • A maior importadora russa em 2024 foi a Melaris LLC, fornecedora do complexo militar-industrial russo.
  • A Michelin afirmou cumprir sanções e fortalecer controles internos, destacando ajustes no programa de conformidade para mitigar riscos de desvio e reiterando que os pneus não seriam destinados a uso militar, embora reconheça limitações na verificação de dados.

Entre-figuras: Dados de registros de comércio indicam que pneus de aviação da Michelin chegaram à Rússia mesmo com sanções em vigor. Entre outubro de 2024 e março de 2025, 2.687 unidades foram avaliadas em mais de 7 milhões de dólares, segundo análises do Conselho de Segurança Econômica da Ucrânia. A cadeia envolvida inclui intermediários em vários países.

A Michelin mantém que cumpre sanções e reforçou controles internos para evitar desvio de produtos. A empresa afirmou que não houve uso militar das peças exportadas e que intensificou medidas para mitigar riscos de redirecionamento.

Intermediários e rotas comerciais

Dados indicam que as entregas foram facilitadas por intermediários, sem relação com clientes diretos da Michelin. Entre os exportadores identificados estão empresas sediadas na Turquia, Espanha, Arábia Saudita, Índia e uma firma britânica chamada General Trade Solutions, sem registro no Companies House do Reino Unido.

Origem dos itens e possíveis riscos

A maior parte das importações russas em 2024 veio pela Melaris LLC, um importador ligado ao complexo militar-industrial russo. A análise ressalva que, embora os fornecedores não sejam clientes da Michelin, não é possível confirmar que todos os pneus analisados sejam produtos do grupo.

Contexto regulatório e posição da Michelin

A Michelin afirma ter ajustado seu programa de conformidade para ampliar controles de exportação e sanções, buscando reduzir o desvio de seus produtos. A empresa reconhece a limitação de dados de fontes externas e a possibilidade de falsificações ou declarações incorretas sobre a origem dos pneus.

Observações de especialistas

Especialista do Conselho de Segurança Econômica da Ucrânia aponta dependência russa de pneus ocidentais pela qualidade. A vantagem competitiva é citada como fator que intensifica o risco de desvio por intermediários. A imprensa francesa destaca a existência de obrigações de due diligence, ainda sob debate quanto ao alcance de normas para monitorar cadeias de suprimento em contextos geopolíticos.

Juízo institucional e próximos passos

As autoridades internacionais mantêm o olhar sobre o tema, enquanto a Michelin sustenta o cumprimento de sanções e reforços de governança. O caso envolve questões de compliance, verificação de dados e transparência de fluxos comerciais em regimes de sanções.

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