- O governo sírio, por meio da Comissão Superior pela Paz Civil, oferece amnistia a Alauítas envolvidos na violência de março e ajuda econômica a famílias da comunidade.
- O comitê é chefiado por ex-militantes de lados opostos e atua nas províncias costeiras de Latakia e Tartous.
- A medida visa reconquistar a lealdade dos Alauitas ao regime islamista-liderado, com promessas de empregos, serviços médicos e libertação de combatentes.
- Críticos apontam opacidade do processo, risco político e ligações com figuras do antigo regime; defensores de direitos destacam falta de transparência.
- Mesmo com amnistias e liberação de prisioneiros, o esforço é visto por muitos como movimento simbólico diante de danos e miséria na região.
A nova liderança síria encara desconfiança entre a minoria Alauíta após a queda de Assad. Em uma tentativa de reconciliação, o governo criou a Comissão Superior pela Preservação da Paz Civil para oferecer amnistia e assistência econômica a Alauítas envolvidos ou afetados pela violência de 2023 a 2025. A medida busca, segundo os dirigentes, estabilizar o território costeiro e avançar uma governança para todos.
O programa concede libertação de combatentes e apoio a famílias, com foco nas províncias de Latakia e Tartous. A iniciativa é coordenada por ex-militantes de lados opostos durante o conflito, que atuam como facilitadores entre autoridades e a comunidade local. O objetivo é ganhar lealdade de parte da população Alauíta, historicamente próxima de Assad, e manter o controle do governo no leste do Mediterrâneo.
A equipe e as críticas
A gestão fica a cargo de Hassan Soufan, ex-comandante rebelde, e Khaled al-Ahmad, que ajudou Assad a reconquistar território antes de mudar de lado para apoiar o governo de Sharaa. Fadi Saqr, aliado de Assad durante a guerra, lidera um dos braços da operação no terreno. A participação de Saqr, designado por sanções internacionais, gerou críticas a respeito de transparência e de riscos políticos.
Especialistas ouvidos pela Reuters apontam que o processo de amnistia envolve filtragem para evitar favorecimento a crimes graves. Ainda assim, a ONG Syrian Network for Human Rights questiona a amplitude da prerrogativa, alegando riscos à responsabilização e à independência judicial. Há também resistência entre alguns Alauítas que veem a cooperação com antigos militares como traição.
Situação no terreno
Relatos de aldeias da costa indicam que muitos Alauítas permanecem pobres e com serviços precários, mesmo com benefícios anunciados. A rede paralela de apoio inclui visitas familiares a detidos e conversas com autoridades para localizar desaparecidos. O governo afirma que as ações são simbólicas, buscando abrir caminho para reformas mais profundas.
Em Dalieh, cidade onde começou a insurreição de março, moradores relataram a presença de equipes do comitê, com receio de retaliação. A imprensa foi acompanhada por segurança local, sem intercâmbio de acusações. O objetivo oficial é reduzir a violência e permitir que comunidades voltem a conviver com segurança.
Desafios e perspectivas
O governo estima que os investimentos em casas danificadas e serviços básicos precisam de tempo e dinheiro. Funcionários citam que menos de 10% das moradias danificadas foram restauradas e reconhecem obstáculos logísticos. Enquanto isso, novos protestos de Alauítas pedem maior devolução de direitos e transparência no processo.
A implementação permanece em estágio inicial, com resultados a serem avaliados ao longo dos próximos meses. Autoridades destacam que medidas de amnistia não impedem responsabilização por crimes graves, desde que observadas as regras do programa.
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