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Iêmen decreta estado de emergência diante do avanço de grupos separatistas

Iêmen declara estado de emergência ante avanço de forças separatistas, elevando risco humanitário e fragilizando coalizão regional e governo reconhecido

Protesto de pessoas que buscam a independência do Iêmen do Sul – foto: Saleh Al-Obeidi/AFP
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  • O Iêmen decretou estado de emergência por 90 dias diante do avanço do Conselho de Transição do Sul (STC), forças separatistas apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos.
  • O STC tomou áreas no sul do país, buscando reviver o antigo Iêmen do Sul, enquanto a Arábia Saudita acusa os Emirados de armá-los.
  • O conflito, que persiste desde 2014, envolve o governo reconhecido internacionalmente e os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, com intervenção da coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015.
  • A coalizão saudita realizou operação militar contra armas e veículos de combate descarregados de navios no porto de Al Mukalla, após ataques recentes contra posições separatistas.
  • O governo iemenita pediu à coalizão que tome medidas diante da escalada; EUA apelaram à moderação, evitando tomar partido entre Riade e Abu Dhabi.

O Iêmen decretou estado de emergência nesta terça-feira diante do avanço de forças separatistas, complicando ainda mais o conflito interno que assola o país desde 2014. O governo reconhecido internacionalmente busca responder à ascensão do Conselho de Transição do Sul, movimento separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos e alinhado a setores políticos locais que defendem a reedição do antigo Iêmen do Sul.

O conflito envolve o governo, com apoio de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, e os houthis, respaldados pelo Irã. A escalada recente ocorreu após o STC tomar amplas áreas no sul do território no início de dezembro, abrindo uma nova frente de batalha no país já devastado pela guerra. O anúncio do estado de emergência foi acompanhado pela anulação de um pacto de defesa com os Emirados Árabes Unidos.

Repercussões diplomáticas e estratégicas

A Arábia Saudita acusa os Emirados de armar os separatistas, classificando a atuação como ameaça à segurança regional. Em resposta, os Emirados anunciaram a retirada de suas forças remanescentes no Iêmen, após um prazo de 24 horas imposto pela coalizão liderada por Riade. O STC afirmou que não se retirará, defendendo a permanência para fortalecer suas posições.

A suspensão do acordo de defesa ocorreu em meio à pressão para coordenar respostas militares à frente sul. A coalizão saudita informou que tropas e veículos de combate foram destruídos após interceptação de armas destinadas ao STC, em operações no porto de Al Mukalla. O episódio elevou as tensões entre Riyadh e Abu Dhabi e acentuou a instabilidade no território.

Situação humanitária e ambiente regional

O Iêmen continua entre as maiores crises humanitárias do mundo, com centenas de milhares de mortos desde o início do conflito. A escalada recente agrava ainda mais a fragilidade do país, dificultando esforços de assistência humanitária e de reconstrução.

O governo iemenita, apoiado por Riade, pediu à coalizão uma resposta coordenada e medidas para reduzir a instabilidade. Washington manteve tom neutro, apelando por moderação entre as potências da região sem escolher lados entre Arábia Saudita e Emirados. As tensões se somam aos ataques a posições separatistas ocorridos nos últimos dias em Hadramawt.

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