- Bari Weiss, editora-chefe da CBS News, defendeu a decisão de excluir um episódio de 60 Minutes sobre acusações envolvendo uma prisão em El Salvador, dizendo que a prioridade era uma cobertura “completa e justa”.
- Em um memorando enviado no véspera de Natal, Weiss afirmou que veículos de imprensa precisam reconquistar a confiança do público americano e que “nada de indignação” os desviaria do objetivo.
- A decisão gerou críticas e acusações de censura, sobretudo após o episódio ter recebido ampla divulgação antes da retirada.
- A correspondente Sharyn Alfonsi afirmou, em mensagens internas divulgadas, que a decisão foi política, que o episódio tinha sido apresentado a várias revisões e que autoridades não comentaram o material.
- O material acabou aparecendo online por meio de uma plataforma de streaming ligada a Global TV, depois de ter sido promovido pela CBS, em meio a tensões entre a administração Trump e 60 Minutes.
Bari Weiss, editora-chefe da CBS News, defendeu a decisão de retirar de 60 Minutes um episódio sobre denúncias envolvendo uma prisão notória em El Salvador. A justificativa foi priorizar uma cobertura “completa e justa”.
Em memo enviado aos funcionários na véspera de Natal, Weiss afirmou que os veículos precisam reconquistar a confiança do público e que “nenhum destaque de indignação” desviaria o jornalismo da missão. A nota foi assinada por Weiss e pela diretoria da CBS News.
A controvérsia ganhou contornos públicos após a divulgação da decisão de não veicular o episódio, apesar da intensa promoção. A decisão de última hora gerou críticas por censura, com apoio de alguns comentaristas conservadores.
Sharyn Alfonsi, correspondente da 60 Minutes que pesquisou o tema por semanas, descreveu a decisão como política em um e‑mail privado tornado público. Alfonsi afirmou que o episódio já havia sido revisado diversas vezes pela CBS e pelas unidades jurídicas.
No memo, Weiss reconheceu a repercussão interna e externa, mas negou que haja motivação política na suspensão. A editora disse que decisões editoriais desse tipo geram controvérsia, especialmente em temas polêmicos, mas são necessárias para cumprir a missão da emissora.
Alfonsi comentou que o episódio havia passado por checagens e que a CBS não recebeu comentários do White House, do Departamento de Estado dos EUA nem do Departamento de Segurança Interna. Ela reiterou que a recusa da administração não pode servir de justificativa para silenciar a reportagem.
O episódio acabou sendo ao menos parcialmente divulgado online, após ser disponibilizado por uma plataforma de streaming vinculada à Global TV, detentora dos direitos da 60 Minutes no Canadá. O material apresenta visitas à prisão e relatos de deportados sobre abusos.
A circulação da reportagem coincide com atritos entre a administração de Donald Trump e a 60 Minutes. Em 2024, Trump recusou entrevista ao programa e processou a CBS sobre outra entrevista com Kamala Harris. A Paramount, empresa-mãe da CBS, chegou a acordo financeiro relacionado ao caso.
O debate sobre a condução da notícia ocorre em meio a tensões entre o jornalismo tradicional e interesses corporativos, com o objetivo de manter padrões de verificação e equilíbrio editorial. A CBS não informou novos detalhes sobre próximos passos da cobertura.
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