- Goli Kouhkan, aos 12 anos, foi vendida pela família para casar com um primo; era analfabeta e não tinha documentos de identidade.
- Casada e vítima de violência, chegou a quase morrer ao dar à luz aos 13 anos e tentou fugir sem apoio.
- Aos 18, foi detida, coagida a assinar uma confissão de homicídio do marido, sem ler o que assinava, e sem advogado presente inicialmente.
- Condenada à morte pela lei iraniana de qisas, a família exigiu o chamado “preço de sangue”; campanha online juntou cerca de 80 mil euros, permitindo o perdão e a libertação prevista.
- Irã mantém recordes de execuções, com quarenta mulheres já em 2025; ONG Iran Human Rights alerta que muitas condenadas são vítimas de violência, casamento infantil e pobreza.
Goli Kouhkan tinha 12 anos quando sua família a vendeu para se casar com um primo. Eslava a vida de pobreza, sem documentos e com violência contínua, segundo o relato das Nações Unidas e da Iran Human Rights (IHR). A vítima vivia em um marco institucional negligente.
Anos depois, aos 18, Kouhkan foi presa após um confronto em que o marido morreu. Ela foi coagida a assinar uma confissão, sem leitura, e acabou condenada à morte por qisas, sob acusações processuais irregulares, segundo as organizações. Não havia apoio jurídico adequado.
A família do marido exigiu o preço de sangue, fixado em 80 mil euros, dinheiro que ela precisava pagar para evitar a execução. Uma campanha online arrecadou o total, permitindo que Kouhkan seja liberada. Ela hoje tem 25 anos e aguardava apenas a confirmação da libertação.
Arrecadação e libertação
O caso levanta a discussão sobre a aplicação da lei islâmica de qisas no Irã, que oferece a opção de perdão ou pagamento da diya. A ONG IHR aponta que muitas condenadas são mulheres pobres, de minorias étnicas, com histórico de violência.
Dados nacionais de execuções
Segundo a IHR, o Irã registrou recordes de execuções e novas vítimas femininas em 2025. O país figura entre os maiores utilizadores da pena de morte, com 1.426 execuções até novembro deste ano, ficando atrás apenas da China em números absolutos.
Contexto de gênero
Organização aponta perfil comum: mulheres maltratadas, pobres, muitas casadas ainda crianças, que acabam cometendo homicídio em defesa própria ou para proteger filhos. Em 2024, foram 31 execuções femininas; em 2025, já são 40, segundo a ONG.
Observações finais
A libertação de Kouhkan ocorre em meio a debates internacionais sobre violência contra mulheres e a aplicação da qisas. A ONU e a IHR destacam a urgência de proteção legal, acesso à defesa e meios de saída para vítimas de abuso em regimes com leis rigorosas.
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