- Na semana passada, 153 gazatíes chegaram a Johannesburgo com visto de 90 dias, após cerca de dez horas no avião, sem clareza sobre o destino final.
- A operação é promovida pela organização Al Majd Europe, com participação do COGAT (órgão israelense de defesa) e de autoridades sul-africanas e da Autoridade Nacional Palestina, e já enviou voos charter para Malásia, Indonésia, Kenia e Sudáfrica desde maio.
- Os passageiros pagaram entre 1.000 e 3.000 euros e muitos não sabiam para onde iriam, descobrindo o destino apenas durante o voo ou ao aterrissar.
- Ministérios de Relações Exteriores da África do Sul e da Autoridade Nacional Palestina acusam a organização de instrumentalizar a desesperação dos gazatíes para favorecer deslocamento e expulsão, o que é contestado por críticas.
- O governo sul-africano disse que não tolerará episódios semelhantes, e autoridades destacaram que haveria um plano de expulsão de palestinos para outros países, alimentando controvérsia internacional.
O caso envolvendo evacuação de gazatíes ganhou contornos complexos na semana passada, quando 153 pessoas chegaram a Joanesburgo, na África do Sul, em voo partindo de Israel. O governo sul-africano permitiu a entrada mesmo com dúvidas sobre destino final e documentos, após um período de 10 horas de espera embarcados.
Segundo informações, a operação foi viabilizada pela organização Al Majd Europe, que realiza saídas em voos charter para Malásia, Indonésia, Kenia e África do Sul, mediante pagamento de valores que variam entre 1.000 e 3.000 euros. O grupo afirma oferecer passagem “segura e voluntária” para terceiros países, em meio a controvérsias sobre deslocamento de palestinos.
A participação de autoridades é alvo de críticas. COGAT, órgão israelense que gerencia pontos de passagem na Faixa de Gaza, afirmou ter autorizado a saída por suposto acordo com um “terceiro país” ainda não especificado. Autoridades sul-africanas e a ANP contestam a operação, acusando instrumentalização da dor humana para fins de deslocamento.
Detalhes indicam que os passageiros enfrentaram surpresa ao chegar, sem selos israelenses nos passaportes, o que exigiu verificação adicional antes da concessão de visto de 90 dias. O episódio ocorreu em meio a debates sobre a possibilidade de expulsões e realinhamentos de população em áreas afetadas pelo conflito.
Governo sul-africano já sinalizou que não pretende repetir episódios similares. Em pronunciamento anterior, autoridades ressaltaram que não se deve transformar operações humanitárias em ferramentas de expulsão. A controvérsia envolve também a ANP, que vê a prática como instrumentalização da necessidade de evacuação.
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