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Irã liberta dois reféns franceses após três anos, mas impede que deixem o país

Kohler, 41, e Paris, 70, são libertados de Evin, com proibição de saída, e permanecem na Embaixada da França; troca envolve iraniana; julgamento é jan de 2026

Trinidad Deiros Bronte
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  • Cécile Kohler (41) e Jacques Paris (70) foram libertados na noite de terça-feira após mais de três anos na prisão de Evin, no Irã; ainda são proibidos de deixar o país e permanecem na Embaixada da França em Teerã.
  • A libertação parece ligada a um acordo de troca envolvendo uma cidadã iraniana presa na França; julgamento da iraniana está marcado para janeiro de 2026, e os franceses podem permanecer na embaixada até lá.
  • O governo francês não confirmou oficialmente a troca; a prática é associada à diplomacia de reféns usada pelo Irã desde 1979 para obtenção de concessões.
  • Condições de encarceramento incluíam isolamento e confissões obtidas sob coação, segundo o governo francês e organizações de direitos humanos, componentes da estratégia de tortura e manipulação.
  • Advogada de Kohler e Paris afirmou que, embora saudáveis, continuam prisioneiros até retornarem ao seu país; o desfecho do caso da iraniana na França pode definir o futuro deles.

Cécile Kohler, de 41 anos, e Jacques Paris, de 70, foram libertados na noite de terça-feira, após mais de três anos de encarceramento na prisão de Evin, no Irã. Ambos foram detidos em 7 de maio de 2022, durante uma viagem ao país. Apesar da libertação, continuam proibidos de deixar o Irã e permanecem na Embaixada da França em Teerã.

A libertação parece estar ligada a um acordo que envolve a troca de uma cidadã iraniana presa na França. O julgamento da iraniana está agendado para janeiro de 2026, o que pode fazer com que os franceses permaneçam na embaixada até lá. O governo francês não confirmou oficialmente essa troca, mas a situação é vista como parte da diplomacia de reféns que o Irã tem utilizado desde 1979.

Diplomacia de Reféns

A prática de prender ocidentais para obter concessões é uma estratégia que o Irã tem adotado ao longo das décadas. O caso de Kohler e Paris se insere em um padrão de detenções arbitrárias, frequentemente usadas para negociar a libertação de iranianos condenados no exterior. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbás Araghchi, mencionou a possibilidade de um “intercâmbio” em setembro, indicando que as negociações estavam avançadas.

Desde 2023, o Irã tem sido acusado de utilizar o encarceramento como uma forma de pressão política. Em 2025, após uma mudança na abordagem da França, que passou a denunciar publicamente essas práticas, outros cidadãos franceses também foram libertados. Kohler e Paris, por sua vez, foram condenados a longas penas de prisão, o que, segundo analistas, pode ter acelerado sua liberação.

Condições de Encarceramento

Os dois professores foram mantidos em condições severas, frequentemente em isolamento, e foram obrigados a confessar crimes que, segundo o governo francês e organizações de direitos humanos, foram extraídas sob coação. A situação é emblemática da tática de tortura e manipulação utilizada pelo regime iraniano.

Com a libertação, a advogada de Kohler e Paris afirmou que, embora fisicamente saudáveis, eles permanecem prisioneiros até que possam retornar ao seu país. A complexidade da situação sugere que o futuro dos dois franceses ainda está atrelado ao desdobramento do caso da iraniana na França.

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